Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa

Queridos Leitores,
Comecei essa matéria com um poema de Fernando Pessoa pois hoje vou falar da visita que fiz a sua casa no dia do meu aniversário, na parte da manhã, no ano passado.
A Casa Fernando Pessoa foi aberta ao público em 1993, e quando fui à Lisboa em 1990 ela não existia, e as referências dele na cidade eram muito poucas. Na verdade a Lisboa de hoje é totalmente diferente da Lisboa que eu conheci em 90, a cidade era suja, os lugares mal cuidados e os monumentos cobertos em cocô de pombo. Realmente não tive uma boa impressão. Portugal tinha acabado de entrar para a comunidade europeia e todas as mudanças estavam para começar.
Situada no bairro Campo de Ourique, um casarão, hoje renovado de uma linda fachada, é o começo de uma viagem pela vida do poeta que eu confesso, não sabia muito, e que me eduquei sobre a vida dele. Foi lá que descobri que ele cresceu e estudou numa escola católica irlandesa, na África do Sul, por isso ele tinha mais familiaridade com a língua inglesa do que com o português. Em vida ele publicou 4 livros, sendo 3 em inglês e somente um em português intitulado ‘Mensagem’. Apesar disso ele publicava em jornais, deixou mais de 200 poesias e um baú com mais de 25.000 páginas… o livro do desassossego estava nele!

Nascido no dia 13 de Junho, dia de Santo Antônio, por isso que seu segundo nome era Antônio. Ele traduziu várias obras em inglês para o português, e obras em português para o inglês e o francês. Sua característica mais marcante como escritor/poeta é que ele criou vários heterônimos, que significa nome e personagem inventados por um autor para assinar obras com estilos literários diferentes. Mas ele não só inventava esses personagens, ele dava um dia de nascimento, uma caligrafia e até uma assinatura para tais. Os mais famosos são: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Ricardo Reis! Ele escreveu sua vida inteira, e sua missão de vida foi constantemente divulgar a língua portuguesa o que confirma nas palavras de seu heterônimo Bernardo Soares: “a minha pátria é a língua portuguesa”. Referência usada por Caetano Veloso em sua música ‘Língua’!


Sempre gostei de tudo que li de Fernando Pessoa, porém essa visita a sua casa foi muito interessante… aprendi coisas sobre ele que me fez sentir que tem umas coincidências, não só de ser poeta, comigo. No começo ele não sentia-se confortável em escrever em português e preferia o inglês. Eu não me sinto confortável em escrever em inglês, mas tento. Eu tenho um heterônimo, com o qual eu ‘experimento’ escrever em inglês, mas também em português, usando um pouco de ousadia e fantasia!
Escolhi ir visitar a casa dele na manhã do meu aniversário e achei que ganhei vários presentes com isso, o melhor foi o encantamento por uma pessoa que achei que só iria gostar de seus escritos, mas ele foi uma pessoa encantadora e com isso ele também me fez ficar encantada por Lisboa a cidade que ele tanto amou! A casa dele também me trouxe muita tranquilidade, conhecer a sua vida me deu essa paz, acho que me sinto assim quando tenho admiração por alguém ou alguma coisa… Fez o meu dia ser muito mais feliz!



Na lojinha do museu eu comprei uma caixa de baralho, mas que não é baralho, e sim o ‘jogo do desassossego’, uma das instalações na casa dele. A intenção é da pessoa escolher as cartas que dizem o que você quer dizer e construir seu próprio livro! Estou sempre jogando…

Uma coisa que não tenho em comum com ele, é que ele era muito misterioso e só se expunha pelos seus heterônimos, já eu ‘guardo o meu coração na manga’, como dizem os ingleses, quando se referem a emoções e desilusões, talvez ele tenha achado a fórmula de se proteger! Desde que comecei a escrever aqui, tenho vivido imersa no meu propósito de escrever, sobre qualquer coisa, qualquer pessoa ou até mesmo sobre eu mesma e isso tem sido uma experiência renovadora não só para meu corpo, mas também para minha alma! A coisa que mais me impressionou foi que na véspera de sua morte ele, em seu leito no hospital, escreveu: ‘I know not what tomorrow will bring’(Eu não sei o que o amanhã trará) e eu fiquei pensando sobre isso, pois, desde que fui acometida de uma doença da qual não se tem controle e não se sabe se o tratamento vai funcionar, ou não, essa realidade da vida vem à nossa mente e que para mim é a motivação que tenho todos os dias para viver o ‘carpe diem’!


Deixo vocês com as fotos, o vídeo onde mostro as instalações dentro da casa Fernando Pessoa, e a poesia, um pouco ousada, em inglês pela minha heterônima! Uhuuu, me achando! rsrs
Até a Próxima!
Aída







You stole my senses
You stole my stare
You stole my balance
You stole my air
You stole my smile
You stole my start
You stole my style
But you won’t steal my heart!
Jess Love
07/09/2014





Aída, preciso deixar registrado aqui a minha grande satisfação! Uma das coisas que ainda espero fazer, um sonho meu, é visitar a casa de Fernando Pessoa e mergulhar de cabeça nos seus poemas! E qual não foi minha surpresa, ver a sua publicação e poder conhecer um pouco mais desse poeta que tanto gosto, «demais da conta, sô», ❤️ e saber, ouvir e ver mais sobre o «jogo do desassossego»❤️! Eu ESTOU encantada, pois vc realizou um pedaço do meu sonho e, confesso que eu fiquei surpresa! Sou grata querida! Finalizo com uma frase sua: « E se um dia alguém me disser que sonha, ao ler meus escritos, então me sentirei realizada como escritora e poeta!», dito isso: SINTA-SE POIS!
* Ah! Amei a JESS LOVE ❤️ela é top!
Querida Baixinha, você não sabe a felicidade que senti ao ler seu comentário… esse passeio foi mais que especial e fiquei mais feliz ainda que você sonhou através de minhas mãos!
Brigada pelo lindo comentário e que logo logo você vá para Lisboa realizar seu sonho! 😘
Hello, Jess Love
I am very happy to know you
Aida do céu.
Que presente você recebeu no seu ANO 59, ao visitar a Casa de Fernando Pessoa, hein?
Pois é, Fernando é o responsável por você nos apresentar a Jess. E mais, fiquei impressionado com as coincidências existentes entre vocês. Seu “segredo”foi finalmente revelado, não foi Jess? 😂😂
Ah! Amei os comentários da Karen. Show.
E a música de hoje é um grande sucesso de uma novela do SBT, “Canção do Mar” com certeza uma bela canção portuguesa.
https://youtu.be/BONFPaoGFVk?si=J7sUz5g5M26_oCZe
Hi Albino!
I’m glad that Aída took me out of the cupboard! 😂
A Jess é muito cheia de fantasia proibida para menores…
E a musica nunca tinha escutado… não sou muito de música portuguesa, mas uns anos atrás a música que ganhou o Eurovision Song Contest era belíssima!
Fiquei feliz com seu comentário, já estava pensando que ninguém tinha gostado do meu lado poeta poeta! 😘
Acabei de receber um comentário lindo sobre essa matéria, no WhatsApp e resolvi copiar aqui . Ela veio do meu amigo/irmão Lucca: Oi Aida, essa matéria ficou muito boa mesmo. Leve no estilo, informativa sem pesar no leitor uma vez que Fernando Pessoa e seus heteronimos é um assunto complexo. A matéria flui de maneira sem esforço, prova do seu talento. Como leitor eu fiquei com o desejo de visitar a casa de Fernando Pessoa. E que maneira bela, poética de introduzir Jess Love. Vou além, essa matéria é uma das suas melhores. Parabéns .
Brigada Lucca, tire uns dias vá à Lisboa pra conhecer esse lugar… é mágico como a poesia dele!
Que coisa fantástica! Que passeio maravilhoso! Você recebeu um grande presente no seu ano 59.E nós leitores também.
Brigada Martha, e essa foi só a parte da manhã…. Descobertas e redescobertas… 😘
Sempre aprendendo com as suas viagens! 🌹😘
Brigada Dione… eu tento viver o lugar e para isso preciso aprender sobre ele! 😘
Querida Poetisa / Escritora Aída;
Já disse um Poeta: “Gosto do Pessoa na Pessoa”, que possamos todos beber, comer e respirar poesia assim mesmo por todos os poros, parabéns pela confecção do assunto e pela visita bem urdida! Amei; Amém! Parabenizo-a com um beijo Bob.
Querido Robertinho, fico feliz e com o coração ♥️ cheio de saudade de papai quando sou chamada de poetisa! Sim, foi uma imersão na vida dele e na minha própria ‘dor’ que todo poeta carrega! A dor de viver transformada em beleza! Brigada! 😘
Aida,
Perfeito suas linhas sobre Fernando Pessoa.
🥰