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Como uma Folha no Outono

Uma viagem pelos ventos da Cornualha e a busca por um novo chão

Queridos leitores,

Com a proximidade do aniversário da partida de meu pai, hoje vou escrever sobre parte de uma viagem que fiz em 2019, em setembro, quando o verão começa a dar lugar ao outono.

Mapa mostrando a distância e a casa do Lucca bem no meio da minha rota

Papai partiu no dia 30 de abril de 2019, e naquele ano eu publiquei no meu Facebook assim: “Sinto-me como uma folha no outono, solta no ar, sem raízes, sem troncos ou galhos para me prenderem, apenas sendo soprada pelo vento, solta no ar!”. E foi basicamente como me senti pelo resto daquele ano… solta no ar, solta na vida!

Estação de trem de St. Erth que fica perto da vila Praze-on-Beeble

Em julho de 2019, fui passar meu niver com o Lucca, pois não queria ficar aqui em Londres. Porém, em setembro, tirei umas férias do trabalho e deixei o vento soprar na direção oeste… Foi minha última viagem no meu saudoso conversível, de lenço na cabeça, estilo Isadora Duncan… Depois disso, ele quebrou e não valia a pena consertar…

Saindo da estação de St. Ives e tendo minha primeira vista da cidade….
Descendo para a praia… mesmo de céu fechado já tinha me conquistado!

Quando marquei as férias, pensei que queria ir para o lado oeste do país, pois acho a região linda demais e ainda há uns lugares que quero visitar por ali. Dessa vez, escolhi St. Ives, pois tinham me dito que era uma pequena cidade da costa da Cornualha que parece cenário de filme… como muitas por aqui!

A cada esquina uma surpresa!

Foi preciso planejamento para ir a St. Ives, pois o lugar é longe… Combinei com o Lucca de almoçar na casa dele e deixar a cópia do meu livro, que eu havia esquecido de levar em julho, pois ficava mais ou menos no meio do caminho. Depois, segui viagem para o Airbnb em Praze-an-Beeble, uma vila perto de St. Ives. A hospedagem em St. Ives era bem cara, e o estacionamento, quase inexistente; então, para não ficar preocupada com isso, fiquei hospedada perto.

Do pier olhando a cidade!

Os donos da casa me receberam com todo o carinho. Já era hora do jantar, então fui a um pub lá perto, comi e voltei para casa. Eles me ofereceram um gin and tonic, aceitei e fiquei conversando com eles, pegando dicas. Fui dormir e, de manhã, tomei café no jardim e fui para a estação de trem numa cidade chamada St. Erth. Ia deixar meu carro na estação e ir de trem para St. Ives.

Da rua da cidade olhando o mar

O dia não estava dos melhores, mas, como sempre digo: por aqui não podemos deixar de fazer as coisas por causa da chuva, porque senão não fazemos nada!

Qualquer lado que olhava tinha uma foto!

Logo de cara, quando desci do trem em St. Ives, tive a sensação de que tudo ali era cenográfico: tudo arrumadinho, umas ruas bem apertadinhas e a cidade lotada de turistas. Apaixonei-me à primeira vista! Mas, naquela época, estava me sentindo solta no mundo e agradeci ao vento por ter me levado àquele lugar que parecia ter sido montado para ser perfeito!

À esquerda subindo para ir na casa da escultora, à direita os barcos estacionados!

Visitei o museu de uma escultora britânica chamada Barbara Hepworth, que ficava na casa onde ela morou, e, tanto na casa como no jardim, o seu trabalho estava espalhado. Sim, num canto do mundo onde só fui parar porque estava flutuando com o vento, achei um lugar que, surpreendentemente, me fez sentir acolhida e amparada… O que a arte faz comigo é assim: faz-me sentir que pertenço a algum lugar!

No jardim da casa/museu da escultora Barbara Hepworth, a água acrescentando mais reflexo…

Almocei na rua, em frente à praia. Fish and chips, porque é um sacrilégio estar à beira-mar aqui na Inglaterra e não comer peixe com batatas fritas! Depois de muitas fotos, peguei o trem de volta, peguei meu carro, fui para o vilarejo onde estava hospedada e fui jantar no pub de novo! Mais uma vez, tomei um gin and tonic com o casal do Airbnb e fui para a cama. No dia seguinte, ia dirigir até Portland e tinha umas paradas para fazer!

A natureza também acrescentou para a beleza do jardim!

Mesmo com um dia não muito ensolarado, depois de muito tempo, eu consegui colocar meus pés no chão novamente e descobri que eu gostava de flutuar por aí com o vento, mas que ter a segurança do chão embaixo dos meus pés era importante para poder flutuar tranquila! Meus pais eram esse chão e, agora, eu teria de achar um jeito de ter esse chão novamente!

O atelier da escultora que tinha acesso pelo jardim.

Fiquem com as fotos e com a poesia!

Até a próxima!

Aída

Como uma folha no outono,
Flutuando ao vento,
Destino sem dono,
Vivendo ao relento…

Sem raízes,
Sem galhos,
Sem frutos como juízes,
Solta na vida sem atalhos!

Aída
16/04/26

*Clique aqui para ver mais fotos

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