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Muito Além do Óbvio

Um olhar sobre o que nos impede de enxergar a verdadeira beleza

Queridos leitores,

Agora, começando meu novo ciclo, estou cheia de planos para o Escritos Independentes e cada dia mais comprometida em contar minhas aventuras, falar de mim, mostrar minhas fotografias, recitar poesias e, quem sabe, começar a compartilhar jornadas com pessoas que queiram experimentar um pouco desse meu modo de ver o mundo!

Logo na entrada do paruqe troncos propositalmente espalahdos criando um ambiente para sentar e uma ‘trave’como se fosse o portão da entrada!
No caminho pavimentado, e as árvores ainda sem folhas, afinal era começo da primavera, fazem sombras, para enfeitar o lugar!

Sinto que realmente tenho um jeito diferente de olhar as coisas. Acredito que adquiri esse diferencial primeiro com minha mãe, que era uma pessoa muito culta e sempre nos transmitiu sabedoria; depois, com a fotografia, o ballet, a maquiagem e as viagens pelo mundo. Contudo, minha essência sempre será “olhar além da beleza” e, talvez, revelar aos outros aquilo que normalmente passa despercebido.

Em uma área circular as surpresas começaram. Esse espécie de totem faz parte de uma trilha de esculturas no Lee Valley Regional Park. Fui em busca de uma cadeira e acehi muito mais!
No mesmo circuito tinham essas esculturas, a da esquerda parecia ser um greilo, mas tirei a foto pela sua sombra e a da direita é obviamente um sapo!

Em dezembro de 2015, quando estava em Maceió, fiquei encantada ao ver as estátuas de bronze de três alagoanos ilustres que elevaram o nome do estado por todo o país. Fui até lá para fotografá-las e achei as obras de muito bom gosto, instaladas em pontos estratégicos da orla, permitindo que o público interagisse tanto com elas quanto com o lindo mar de Maceió.

No mesmo círculo um cisne onde as pessoas podem ficar entre as asas para parecer que está numa carruagem de cisne. Ela foi esculpida em um bloco de madeira.
Mais uma vez o sol me dando o melhor espetáculo : a luz!
Esse banco/escultura é chamado ‘O Santuário’, o que combina bem bem com a luz na fotografia!

Já no final de 2021, o prefeito da cidade decidiu, de forma sorrateira e sem consultar os moradores da área, fechar a única via interna que liga a Ponta Verde à Jatiúca. O motivo? Instalar uma cadeira gigante, bloqueando totalmente a visão do mar para quem desce aquela rua.

No caminho, procurando a cadeira no parque enorme (eu não achei que era tão grande), tinha bancos que fazem sombras e não na sombra!
Tinha campos abertos com trancos marcando como se fosse o esqueleto de um barco Viking !

Nas redes sociais, havia diversas opiniões. O prefeito apagou o sorriso da Cidade Sorriso e passou a dizer que a cidade “é massa”. Além disso, não se fez de rogado, espalhando adereços por toda a orla. Colocou um skate imenso na Praça do Skate e outras “plasticidades” que taparam ainda mais a paisagem litorânea.

A escultura da esquerda é simplesmente uma maneira de prover lugares aconchegantes para os animais selvagens e a da direita um lado do esqueleto do barco.
Esses três bancos, lindamente talhados evocam uma reunião de família!

Entrei nessa discussão porque considerava — e continuo achando — que, se a cadeira tivesse que existir, deveria ter sido instalada na areia da praia. Embora, de preferência, ela sequer devesse ter sido construída. O mar de Maceió basta por si só; não precisa de enfeites. Fico imaginando que, no futuro, aquilo vai virar um lixo abandonado, pois a política costuma ser assim: novas gestões não se importam com o que as anteriores fizeram. Com isso, as pessoas vão perdendo a memória e esquecendo a verdadeira história do lugar.

A cadeira maior para os pais e as menores para os filhos!
A cadeira maior é a figura do ‘Homem Verde’que representa renascer e ciclo de crescimento.

Em meio aos debates sobre essa intervenção ser ou não uma boa ideia, fui em busca de uma atração semelhante aqui em Londres e encontrei uma enorme cadeira de madeira bem pertinho de mim, no norte da cidade.

Devo confessar que naquele momento já estava exausta, ainda não tinha nem um ano que tinha terminado a radioterapia e qualque coisa me cansava, mas a cada campo abeto eu respirava e continuava…
Até um pequeno canal e um longo caminho pela frente…

Era começo da primavera e o tempo estava chuvoso, mas finalmente fez um dia de sol. Peguei minha câmera e fui fotografar a atração, localizada no Lee Valley Regional Park. Pasmem: o local não abrigava apenas a “Cadeira do Gigante”, como é conhecida, mas também diversas outras esculturas de madeira espalhadas pela reserva.

O esqueleto do barco vikiing
Detalhe do banco menor da ‘reunião de familia’…

Você, então, pode se perguntar: “Como assim? Derrubaram árvores para fazer as esculturas?”. Na verdade, a matéria-prima utilizada veio de troncos que caíram naturalmente ou de árvores que precisaram ser cortadas por já estarem mortas ou doentes. E, como bem disse Lavoisier: na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

E finalmente cheguei na cadeira!
Ela é chamada ‘A Cadeira do Gigante’! E realmente ela é gigante. Cada perna feita de um tronco… essa sim, encantadora, no seu ‘habitat’natural!

Um dia, essas esculturas vão desaparecer. Mas, como todas foram feitas de madeira, a própria natureza as tomará de volta. É exatamente aí que reside a beleza que vai muito além da superfície!

Esperei as pessoas descerem da cadeira para tirar as fotos… eu pessoalmente não tinha condições físicas de subir!
Numa cadeira linda assim, só consigo imaginar um Gigante sentado nela!

Continuo sendo contra adereços que obstruem a contemplação do que é naturalmente belo. A plasticidade dessas interferências artificiais é uma poluição visual no presente e, no futuro, será poluição ambiental… Enquanto isso, sigo buscando a beleza muito além daquela que tentam me impor!

À esquerda a escultura do fogo e à direita a bela luz dourada de final de inverno!
Nesse dia eu segui os caminhos de luz, não os do espírito, mas os de verdade!

Fiquem com as fotos e a poesia!

Até a Próxima!

Aída

Diante da beleza,
Reverencio o Criador;
Diante da natureza,
Curvo-me ao Seu amor!

É possivel ao homem criar o belo,
Contanto que não esconda o natural.
A verdadeira beleza vem do elo,
Não da busca do vil metal…

Aída
01/08/26

2 COMMENTS

  1. Aída que privilégio observar as instalações da natureza…o belo surgindo da própria essência…imersão clara de que o CRIADOR emana para evoluir a inspiração humana…tudo reluz e você descreve os detalhes, sim uma cadeira para descansar a alma…olhos,cheiro de terra…poesia na estátua…Maceió, você lá e cá…flech…câmera…ação!

    • Obrigada Cris! A ‘bendita’ cadeira de Maceió nunca vai ser fotografada por mim. Recuso-me a fazer parte de tamanho absurdo, e breguice…😂 😘

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