Queridos leitores,
Agora, começando meu novo ciclo, estou cheia de planos para o Escritos Independentes e cada dia mais comprometida em contar minhas aventuras, falar de mim, mostrar minhas fotografias, recitar poesias e, quem sabe, começar a compartilhar jornadas com pessoas que queiram experimentar um pouco desse meu modo de ver o mundo!


Sinto que realmente tenho um jeito diferente de olhar as coisas. Acredito que adquiri esse diferencial primeiro com minha mãe, que era uma pessoa muito culta e sempre nos transmitiu sabedoria; depois, com a fotografia, o ballet, a maquiagem e as viagens pelo mundo. Contudo, minha essência sempre será “olhar além da beleza” e, talvez, revelar aos outros aquilo que normalmente passa despercebido.


Em dezembro de 2015, quando estava em Maceió, fiquei encantada ao ver as estátuas de bronze de três alagoanos ilustres que elevaram o nome do estado por todo o país. Fui até lá para fotografá-las e achei as obras de muito bom gosto, instaladas em pontos estratégicos da orla, permitindo que o público interagisse tanto com elas quanto com o lindo mar de Maceió.



Já no final de 2021, o prefeito da cidade decidiu, de forma sorrateira e sem consultar os moradores da área, fechar a única via interna que liga a Ponta Verde à Jatiúca. O motivo? Instalar uma cadeira gigante, bloqueando totalmente a visão do mar para quem desce aquela rua.


Nas redes sociais, havia diversas opiniões. O prefeito apagou o sorriso da Cidade Sorriso e passou a dizer que a cidade “é massa”. Além disso, não se fez de rogado, espalhando adereços por toda a orla. Colocou um skate imenso na Praça do Skate e outras “plasticidades” que taparam ainda mais a paisagem litorânea.


Entrei nessa discussão porque considerava — e continuo achando — que, se a cadeira tivesse que existir, deveria ter sido instalada na areia da praia. Embora, de preferência, ela sequer devesse ter sido construída. O mar de Maceió basta por si só; não precisa de enfeites. Fico imaginando que, no futuro, aquilo vai virar um lixo abandonado, pois a política costuma ser assim: novas gestões não se importam com o que as anteriores fizeram. Com isso, as pessoas vão perdendo a memória e esquecendo a verdadeira história do lugar.


Em meio aos debates sobre essa intervenção ser ou não uma boa ideia, fui em busca de uma atração semelhante aqui em Londres e encontrei uma enorme cadeira de madeira bem pertinho de mim, no norte da cidade.


Era começo da primavera e o tempo estava chuvoso, mas finalmente fez um dia de sol. Peguei minha câmera e fui fotografar a atração, localizada no Lee Valley Regional Park. Pasmem: o local não abrigava apenas a “Cadeira do Gigante”, como é conhecida, mas também diversas outras esculturas de madeira espalhadas pela reserva.


Você, então, pode se perguntar: “Como assim? Derrubaram árvores para fazer as esculturas?”. Na verdade, a matéria-prima utilizada veio de troncos que caíram naturalmente ou de árvores que precisaram ser cortadas por já estarem mortas ou doentes. E, como bem disse Lavoisier: na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.


Um dia, essas esculturas vão desaparecer. Mas, como todas foram feitas de madeira, a própria natureza as tomará de volta. É exatamente aí que reside a beleza que vai muito além da superfície!


Continuo sendo contra adereços que obstruem a contemplação do que é naturalmente belo. A plasticidade dessas interferências artificiais é uma poluição visual no presente e, no futuro, será poluição ambiental… Enquanto isso, sigo buscando a beleza muito além daquela que tentam me impor!


Fiquem com as fotos e a poesia!
Até a Próxima!
Aída

Diante da beleza,
Reverencio o Criador;
Diante da natureza,
Curvo-me ao Seu amor!
É possivel ao homem criar o belo,
Contanto que não esconda o natural.
A verdadeira beleza vem do elo,
Não da busca do vil metal…
Aída
01/08/26




Aída que privilégio observar as instalações da natureza…o belo surgindo da própria essência…imersão clara de que o CRIADOR emana para evoluir a inspiração humana…tudo reluz e você descreve os detalhes, sim uma cadeira para descansar a alma…olhos,cheiro de terra…poesia na estátua…Maceió, você lá e cá…flech…câmera…ação!
Obrigada Cris! A ‘bendita’ cadeira de Maceió nunca vai ser fotografada por mim. Recuso-me a fazer parte de tamanho absurdo, e breguice…😂 😘