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Remendando o Coração com Shakespeare!

Teatro nas ruínas, nostalgia e cura através da arte.

Queridos leitores,

Na sexta-feira, dia 21/08, comemorei 36 anos aqui na terra da Tia Beth, que agora é do “Primo Charley”! rs

Desses 36 anos, 11 foram vividos em St. Albans. Por obra do acaso, na terça-feira (18/08), David e eu fomos dar um passeio por lá para assistir a uma peça de Shakespeare, Como Você Queira (As You Like It), nas ruínas do anfiteatro romano local.

Parte do que sobrou do muro romano que demarcava a cidade. Os tijulhos dessa muralha foram utilizados pelos normandos para a construção da catedral, reciclagem medieval!

O fato de termos agendado esse passeio para esta semana foi pura coincidência, e voltar à cidade sempre me traz saudade. St. Albans é um assunto que precisarei dividir em várias publicações, pois morei lá por um bom tempo e acredito que Deus me colocou naquele lugar no momento certo. 

Hoje, porém, quero focar na experiência de ter assistido a essa peça de Shakespeare que eu ainda não conhecia.

Uma foto de início de verão de 2015, o parque com seus gramados verdes… bem diferente do que vimos na terça feira !

Desde 2024, quando, aos 60 anos, tive meu coração partido mais uma vez na vida, fiquei um pouco obcecada por Shakespeare. Com essa obra, aliás, darei início a uma “série” de textos sobre ele. Na semana passada, falei por alto do teatro Globe, sobre o qual já planejo fazer uma matéria exclusiva. 

Mergulhar no universo de Shakespeare, especialmente em suas peças mais dramáticas sobre amor e desilusões, foi a maneira que encontrei para remendar o meu próprio coração!

Num dos lados da catedral….

Essa peça, que é uma comédia, também possui uma base romântica digna de um bom Shakespeare e, pasmem: tem um final feliz!

A montagem, da Companhia de Teatro OVO, utilizou as ruínas do anfiteatro de maneira muito inteligente, criando uma apresentação bem intimista. É até difícil de explicar: estávamos ao ar livre, em meio às ruínas, assistindo a uma adaptação ambientada nos anos 60 — o que ficava claro pelo cenário, figurino e trilha sonora. O idioma, no entanto, manteve o inglês “shakespeariano” original. Isso me amedrontou um pouco no início, mas, por incrível que pareça, consegui entender sem problemas!

E aqui, na frente da catedral!

Não sou crítica de teatro e nem pretendo contar o enredo da peça aqui. Só sei que ela fala de amor de uma maneira leve e descontraída, sem todo aquele drama de Romeu e Julieta, mas com muita sinceridade e diversão. 

A passagem mais famosa da obra é um monólogo do Lorde Jaques sobre as sete fases da vida do homem. Porém, o trecho que decidi trazer para vocês é o conceito de amor do jovem pastor Silvius para a pastora Fibi, que o rejeita. Quando ela lhe pergunta o que é estar apaixonado, ele responde:

“É ser todo feito de suspiros e lágrimas; E assim sou eu por Fibi. É ser todo feito de fé e de serviço; E assim sou eu por Fibi. É ser todo feito de fantasia, Todo feito de paixão e todo de desejos, Todo adoração, dever e reverência, Toda humildade, toda paciência e impaciência, Toda pureza, toda provação, toda obediência; E assim sou eu por Fibi.”

Nosso almoço/jantar, antes do teatro… David foi de pizza e eu de massa…

Talvez o jeito shakespeariano de falar seja um pouco exagerado, mas, no frigir dos ovos, sentir-se apaixonado é exatamente o que esse jovem simples, que cuida de ovelhas, disse à sua amada! Eu também sou assim com minhas paixões e amores. Acho que sentir tudo isso de uma maneira leve, como o Silvius sente pela Fibi, é tudo o que desejo encontrar em alguém, e que esse alguém sinta o mesmo por mim! Será que estou pedindo muito?

Fiquem com as fotos, com o vídeo e, lógico, com uma poesia que fala de amor!

Até a próxima!

Aída

Essa é uma foto panorâmica das ruínas do teatro em 2015. Tudo acontece no circuloo no centro e essa coluna fica atras de onde sentamos! O gramado desse lugar também foi obliterado pelo calor!

Um suspiro de alegria,
Uma lágrima no rosto a rolar,
No momento de euforia,
O grito não quer calar!

Um suspiro de adeus,
E seguir ao Deus dará,
Meus desejos são os seus,
Mas a vida não pode esperar!

Um beijo que no tempo parou,
Uma saudade que inspiro,
Meu coração se doou,
E se entregou num suspiro…

De amor!

Aída
09/08/24

4 COMMENTS

  1. Aida, essa é, sem dúvida, uma das definições de amor mais perfeitas que existem. Impossível ler e não sentir a profundidade, a entrega e a beleza desse amor. É exatamente isso: um amor feito de fé, devoção, sonhos, lágrimas, paciência e, acima de tudo, entrega. Lindo demais!

    • Querida Ana Flávia, sim definição linda e na peça ela é dita de uma forma leve, assim como o amor deve ser! Quem quiser que diga que Shakespeare não entende de amor, mas eu acho que ele captura o amor não so no drama, mas também na comédia!Feliz de ver você por aqui de novo! Volte sempre e volte mais! Obrigada pelo seu carinho! 😘

  2. Que passeio maravilhoso…mergulhar no romantismo de Shakespeare, será que o amor move o coração???…sim,um final feliz neste anfiteatro romano…o passeio, recordação do lugar que morou…é a Aída das idas e vindas,a companhia de David…é isso aí, levar a vida proseando…afinal,a estrada é longa e passa rápido…muito rápido para chorar!!!

    • Obrigada Cris, sim foi um passeio inspirador, cheio de saudades e também cheio de surpresas… o gramado seco e eu conhecendo o outro lado de Shakespeare, sem drama, só leveza! 😘

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