Queridos leitores,
Não sei se vocês se lembram, mas na minha coluna de aniversário comentei que aquela catedral ganharia uma segunda parte. Pois bem: hoje vocês vão conhecer um pouco mais sobre ela.


Foi nesse dia que David me mostrou, pela primeira vez, as marcas de destruição nas igrejas britânicas decorrentes do que a história chama de Reforma — e eu chamo de caprichos de um rei!

Quando Henrique VIII rompeu com Roma, criou a Igreja Anglicana e se declarou seu único chefe, o processo esteve longe de ser algo limpo e diplomático. Foi violento e devastador. Seus soldados invadiram igrejas, conventos e mosteiros, perseguindo religiosos. No interior dos templos, a destruição atingiu tudo o que estava ao alcance: altares, estátuas, afrescos e decorações foram quebrados sem piedade.



Esse rompimento é um marco ensinado até hoje nas escolas. Na minha época de estudante no Brasil, aprendi sobre o famoso rei das seis esposas — duas das quais ele mandou executar por decapitação (Ana Bolena e Catarina Howard).


Com a morte de Henrique VIII, assumiu seu filho de apenas nove anos, Eduardo VI (filho da terceira esposa, Jane Seymour). Governando sob forte regência protestante, Eduardo tentou, aos 15 anos, deserdar suas meias-irmãs e nomeou sua prima, Lady Jane Grey, que governou por meros nove dias antes de ser deposta.


Maria I, filha de Catarina de Aragão, reuniu apoio militar, reivindicou a coroa e mandou executar Jane Grey. Aos 37 anos, assumiu o trono, restaurou o catolicismo e casou-se com Filipe II da Espanha. Morreu cinco anos depois, sem deixar herdeiros, ficando conhecida na história como Bloody Mary (Maria, a Sangrenta) devido à violência de seu reinado.


Assumiu então Elizabeth I (Isabel I), filha de Ana Bolena, que governou por 44 anos e restabeleceu a Igreja da Inglaterra. Seu reinado consolidou a brilhante Era Elizabetana — marcada pelo florescimento cultural, expansão marítima e estabilidade do protestantismo. Sua morte marcou o fim da dinastia Tudor.


Mas, voltando à Catedral de Ely: foi profundamente impactante ver de perto toda aquela destruição. Desde o tempo da escola, eu guardava uma visão quase romantizada de que a transição teria sido pacífica — como se o rei apenas se declarasse chefe da igreja e pedisse para os católicos escolherem se queriam continuar católicos ou virar anglicanos… Mas não. Naquela época, tudo era imposto pela força. E olhando para isso, fico pensando: como ainda regredimos em tantas coisas!


Estar em Ely pela segunda vez foi muito especial, pois selou nosso compromisso de fazer uma aventura cultural por mês. Falhamos em setembro, é verdade, mas tudo bem: não gosto de forçar ninguém a nada e tampouco gosto de ser forçada.


Para a minha amizade com o David, esses passeios se tornaram um espaço valioso de aproximação e sinceridade. Ouvir dele que admira a minha determinação em lutar contra o câncer e contra qualquer obstáculo que tente me derrubar foi uma verdadeira virada de chave no nosso vínculo.


Ele também me acha meio maluca: se me convida para explorar uma igreja velha, eu topo; se chama para visitar um shopping construído dentro de uma antiga usina termoelétrica, topo na hora! Hoje em dia, brinco dizendo que ele só quer me ver uma vez por mês porque adora aparecer nas minhas fotos e nos meus textos!
De tudo isso, tiro uma certeza: mesmo quando algo foi destruído no passado, ainda é possível olhar para as ruínas e construir, sobre elas, algo maior, mais bonito e duradouro.
Fiquem com as fotos, o vídeo e a poesia!
Até a próxima!
Aída

Ali embaixo não tinha horizonte,
E o céu escureceu.
Como ir adiante,
Quando a chuva surpreendeu?
Tentar correr em vão
Ou deixar molhar a alma,
Com o sol meio sem ação,
E o vento com calma?
Foi aí que me dei conta,
Do que Newton explicou:
Que o prisma a cor desmonta…
Com a luz e a água em parceria,
O arco-íris apareceu:
Sem tesouro, só beleza e alegria!
Aída
29/08/26




Passeios,castelos,recordações…voltar para rever …a dinastia…contradições humanas…decapitadas…mas o resplendor arquitetônico é maravilhoso…se a essência humana fosse assim…reinos seriam justos …mulheres rainhas …todas respeitadas…sangrento reinado…mas foi a alma feminina a rainha…daí Era Elizabeth……….salve mesmo a Betinha…
Sim Cris, adoro toda história , mas não confundamos, essa era Elizabetana foi a da primeira, a Tia Bete já é outra história ! 😘
Uma viagem no tempo com um lindo e relato e belas fotos! 🌹😘
Obrigada Dione! Essas aventuras são sempre uma viagem no tempo! 😘