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Entre a História e Nossos Recomeços

A segunda parte da nossa visita à Catedral de Ely e o valor das nossas reconstruções.

Queridos leitores,

Não sei se vocês se lembram, mas na minha coluna de aniversário comentei que aquela catedral ganharia uma segunda parte. Pois bem: hoje vocês vão conhecer um pouco mais sobre ela.

O altar da capela de Lady Mary que diz: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós cheia de graça e verdade” Ao redor da instalação moderna os sinais da destruição da Reforma!
Uma mesa com espelho aumentativo para poder ver o teto mais de perto….

Foi nesse dia que David me mostrou, pela primeira vez, as marcas de destruição nas igrejas britânicas decorrentes do que a história chama de Reforma — e eu chamo de caprichos de um rei!

A janela e o teto vistos do espelho!

Quando Henrique VIII rompeu com Roma, criou a Igreja Anglicana e se declarou seu único chefe, o processo esteve longe de ser algo limpo e diplomático. Foi violento e devastador. Seus soldados invadiram igrejas, conventos e mosteiros, perseguindo religiosos. No interior dos templos, a destruição atingiu tudo o que estava ao alcance: altares, estátuas, afrescos e decorações foram quebrados sem piedade.

A câmera colocada em cima da cadeira e nós dois sendo ‘naturais’ dentro da capela de Lady Mary!

Esse rompimento é um marco ensinado até hoje nas escolas. Na minha época de estudante no Brasil, aprendi sobre o famoso rei das seis esposas — duas das quais ele mandou executar por decapitação (Ana Bolena e Catarina Howard).

Detalhes da janela do teto e dos vitrais!
Cantinhos atras do altar principal….

Com a morte de Henrique VIII, assumiu seu filho de apenas nove anos, Eduardo VI (filho da terceira esposa, Jane Seymour). Governando sob forte regência protestante, Eduardo tentou, aos 15 anos, deserdar suas meias-irmãs e nomeou sua prima, Lady Jane Grey, que governou por meros nove dias antes de ser deposta.

David servindo de medida para porta de entrada para a escada até um dos órgãos da catedral… a escada em espiral tinha que ser um organista bem magro….
Essa capela fica diretamente atrás do altar principal, desse lado onde o coral fica.

Maria I, filha de Catarina de Aragão, reuniu apoio militar, reivindicou a coroa e mandou executar Jane Grey. Aos 37 anos, assumiu o trono, restaurou o catolicismo e casou-se com Filipe II da Espanha. Morreu cinco anos depois, sem deixar herdeiros, ficando conhecida na história como Bloody Mary (Maria, a Sangrenta) devido à violência de seu reinado.

Ao fundo a clara-boia e o altar da capela e daqui também a vista do teto da nave principal!
Aqui é o famoso ‘atrás da igreja’, à esqueda a parte depois do altar e à direita o capela de Lady Mary, bem no meio a torre octagonal!

Assumiu então Elizabeth I (Isabel I), filha de Ana Bolena, que governou por 44 anos e restabeleceu a Igreja da Inglaterra. Seu reinado consolidou a brilhante Era Elizabetana — marcada pelo florescimento cultural, expansão marítima e estabilidade do protestantismo. Sua morte marcou o fim da dinastia Tudor.

Um dos muitos painéis com vitrais, do museu do vitral.
Na ponte, à esquerda a capela de Lady Mary e à direita a parte que fica atrás do altar principal.

Mas, voltando à Catedral de Ely: foi profundamente impactante ver de perto toda aquela destruição. Desde o tempo da escola, eu guardava uma visão quase romantizada de que a transição teria sido pacífica — como se o rei apenas se declarasse chefe da igreja e pedisse para os católicos escolherem se queriam continuar católicos ou virar anglicanos… Mas não. Naquela época, tudo era imposto pela força. E olhando para isso, fico pensando: como ainda regredimos em tantas coisas!

Antes de chegar na parte mais alta da torre passamos pela parte onde o coral ficava, pela janela vê-se o teto acima do altar, uma estrelea e muitos vitrais dando uma ar mais que grandioso!
À esquerda vê-se no primeiro plano o braço leste, onde eu estava na primeira parada da subida para a torre, logo depois onde fica o altar principal e que nesse dia tinha um palco para o show e ao fundo o braço oeste. À direita chegando na parte mais alta da torre!

Estar em Ely pela segunda vez foi muito especial, pois selou nosso compromisso de fazer uma aventura cultural por mês. Falhamos em setembro, é verdade, mas tudo bem: não gosto de forçar ninguém a nada e tampouco gosto de ser forçada.

Dando a volta na torre e me sentindo na máquina do tempo, não que tivesse voltando no tempo, mas sentindo que estava pisando num lugar onde pessoas de séculos atrás estiveram e isso nos faz pensar em como a vida é breve!
E pensar que quando isso foi construído a tecnologia era somente a vontade do homem em construir um lugar enorme para poder chamar de a casa de Deus!

Para a minha amizade com o David, esses passeios se tornaram um espaço valioso de aproximação e sinceridade. Ouvir dele que admira a minha determinação em lutar contra o câncer e contra qualquer obstáculo que tente me derrubar foi uma verdadeira virada de chave no nosso vínculo.

A torre de perto…
Eu na frente da instalação ‘O caminho da vida” que fica logo na parte da entrada e David sentado nos bancos da capela de Lady Mary

Ele também me acha meio maluca: se me convida para explorar uma igreja velha, eu topo; se chama para visitar um shopping construído dentro de uma antiga usina termoelétrica, topo na hora! Hoje em dia, brinco dizendo que ele só quer me ver uma vez por mês porque adora aparecer nas minhas fotos e nos meus textos!

De tudo isso, tiro uma certeza: mesmo quando algo foi destruído no passado, ainda é possível olhar para as ruínas e construir, sobre elas, algo maior, mais bonito e duradouro.

Fiquem com as fotos, o vídeo e a poesia!

Até a próxima!

Aída

Ali embaixo não tinha horizonte,
E o céu escureceu.
Como ir adiante,
Quando a chuva surpreendeu?

Tentar correr em vão
Ou deixar molhar a alma,
Com o sol meio sem ação,
E o vento com calma?

Foi aí que me dei conta,
Do que Newton explicou:
Que o prisma a cor desmonta…

Com a luz e a água em parceria,
O arco-íris apareceu:
Sem tesouro, só beleza e alegria!

Aída
29/08/26

Clique aqui para ver mais fotos!

4 COMMENTS

  1. Passeios,castelos,recordações…voltar para rever …a dinastia…contradições humanas…decapitadas…mas o resplendor arquitetônico é maravilhoso…se a essência humana fosse assim…reinos seriam justos …mulheres rainhas …todas respeitadas…sangrento reinado…mas foi a alma feminina a rainha…daí Era Elizabeth……….salve mesmo a Betinha…

    • Sim Cris, adoro toda história , mas não confundamos, essa era Elizabetana foi a da primeira, a Tia Bete já é outra história ! 😘

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