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A Filha Autêntica!

Feliz Dia dos Pais!

Querido Leitores,

Hoje obviamente eu quero homenagear os pais, tendo uma pauta assim fica mais fácil, pois semana passada foi meio que difícil de escolher um tema pra escrever. Quero mostrar meus vídeos que já estão prontos e contar um pouco sobre eles, tipo bastidores, motivações e ao mesmo tempo falar um pouco do que aquela experiência me rendeu, mostrando minhas poesias e minha poesia visual!

Outra coisa que não quero mais fazer, como tenho feito, é procrastinar, pois chega na sexta está tudo na cabeça e eu penso: assim que sentar vai ser fácil escrever, e não é bem assim, escrevo o texto várias vezes, a primeira é sempre a maior de todas dai vou reescrevendo e enxugando, então essa semana comecei a escrever na quarta e espero que daqui pra sexta de noite eu esteja com tudo pronto.

Eu e papai em 2013 por ocasião da formatura de minha sobrinha em Campinas

E eu falei de procrastinar por uma razão bem simples, pra começar a falar de meu querido, amado e saudoso pai, o ’Seu’Fernando, um cara boa praça , festeiro, trabalhador pra caramba e o mais importante: dono do coração maior que já vi em minha vida! Aí vocês me perguntam: e o que seu pai tem a ver com procrastinar? Isso é uma estória( escrevo assim por causa do inglês, o H faz tudo ficar sério demais) muito engraçada e que virou uma brincadeira da família e fez a gente dar muitas risadas.

A Nanda começou a ferequentar a farra do almoço desde pequena!

Uma das vezes que eu e meu ex marido fomos pro Brasil, levamos um amigo dele conosco, que é muito inteligente e por conta própria aprendeu umas palavras em português  para ser delicado. A hora do almoço lá em casa era sempre uma festa, e com visitas ficava mais animado ainda. Então entre conversas de línguas, meu irmão Ricardo dizendo que eu tinha sotaque de gringa e me imitava, aquele barulho na mesa meu pai que não sabia falar inglês (mas isso não parava ele de conversar nem com meu ex nem com o Steve) falou em inglês (vou colocar aqui como soou): Procrastineichion is a cif of taime. Don’t live for tomorow what iu can du today! (Procrastination is a thief of time. Don’t leave for tomorrow what you can do today!) Silêncio total na mesa, ele e mamãe com o maior sorriso no rosto e todos nós sem saber o como reagir. Ele olhou pros gringos que disseram que entenderam. Ai pedimos pra ele repetir, e sim, ele tava falando inglês e todo mundo caiu na gargalhada. Então perguntamos : pai quem ensinou isso pra você? Acusamos a mamãe, mas ela também estava surpresa como nós. Então ele explicou que quando era menino teve um professor de inglês que era muito bom e ele nunca tinha esquecido essa frase. Tenho minhas dúvidas que o professor era bom, mas que ele aprendeu uma frase ele aprendeu. Então isso virou uma brincadeira em família, quando a gente queria que alguém fizesse alguma coisa se tivesse na frente dele a gente pedia pra ele repetir a frase. Era uma comédia, ele parecia uma criança que tinha acabado de dizer um palavrão e todo mundo ria com isso. Ricardo até aprendeu a imitá-lo. A tradução da frase é: Procrastinação é ladra do tempo. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. A primeira parte dessa frase é de um poeta inglês Edward Young (1683-1765) a segunda parte é de Benjamin Franklin (1706-1790) que assinou a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

No bar do Pato, em Dezembro de 2005 todos juntos e ele comandando a bagunça

A distância foi o que me fez aproximar mais de meus pais, me deu uma visão melhor. Uma vez ele escreveu uma carta pra toda sua família, e nessa carta ele me descreve que quando eu era pequena eu era muito calada e passava horas observando as coisas e ele pensava que quando eu crescesse eu seria freira, mas esse era meu jeito dentro de casa, pois eu era a mais nova, depois veio Adriana, que ficou por pouco tempo e eu me tornei a mais nova de novo. Vir pra cá me fez ser mais tagarela dentro de casa. Aos 14 anos eu tomei meu primeiro pileque no carnaval, e quando mamãe soube ela ficou super brava, e cuidou de mim, me deu café amargo pra eu ficar sóbria e lembrar da bronca e que me preparasse pra bronca do papai também. Voltamos pra casa depois do baile da Fênix e sempre ficava esperando todo mundo chegar no terraço do prédio contando as presepadas do dia. Papai tava sabendo do meu pileque e eu estava toda desconfiada, mas ele tava bebum e começou a me perguntar onde eu tinha bebido, ai eu disse que tinha bebido em casa e um primo de meu primo viu que eu tava bebum e me levou pra Fênix. Ai ele perguntou a mamãe se ela tinha me dado bebida, aí eu expliquei: O senhor trouxe uns runs da Jamaica, então o povo ia chegando em casa e a mamãe preparava as bebidas e me mandava levar pra pessoa, como eu não queria que derramasse dava um ou dois golinhos no rum jamaicano (hoje sei que esse rum tem o teor alcóolico de70%) com coca, e assim fiquei embriagada… ele bebo, caiu na gargalhada e disse: essa é a filha mais autêntica que tenho! E pronto, ficou por isso mesmo, nunca levei bronca dele e mamãe parou de me mandar levar as bebidas pra pessoas. Eu, depois disso tinha que me manter no radar de meu pai e continuar autêntica… Essa autenticidade foi razão de muitas brigas, mas ele não podia reclamar, pois eu só  falava a verdade escorada na autenticidade!

Eu e meu livro. De repente, o céu!

A influência dele me levou à fotografia. Ele era muito avançado no tempo e foi um dos primeiros a entrar na onda da computação . Quando ele descobriu que eu gostava de escrever e fazer poesias ele sempre me incentivava. Passei muitos anos longe da poesia, e só escrevia cartas, aí Ricardo se foi e eu não estava bem, não conseguia entender como Deus tirou outro irmão meu, e mais novo de novo, e meu amigo de novo. Foi um período bem difícil pra todos nós. Quando Ricardo estava doente ele me disse que estava escrevendo um livro sobre aquilo que ele estava passando. Mas ele não teve tempo, e ninguém conseguiu achar esse livro no computador dele, eu queria terminá-lo, e aquilo me atormentou e eu não entendia porque, mas então como não conseguíamos achar o livro dele eu resolvi escrever por ele. Foi um processo doloroso, pois tinha que manter minha memória viva, e a saudade que sentia dele era tão grande que tinha que parar de escrever pois começava a chorar e não via mais nada. Em 2011, eu acho que já tinha uns 60% do livro escrito, então eu resolvi imprimir e levar pra mostrar a meus pais o que eu andava fazendo. A minha forma de mantê-lo entre nós. Meus pais estavam comemorando 50 anos de casados e achei que eles iam gostar. Eu estava receosa. Eu cheguei uns dois dias antes da festa, e  depois que todo mundo foi pra cama eu fui no quarto deles e contei o que andava fazendo. Ele também tava escrevendo sobre Ricardo, e me mostraria de manhã. Ele leu a primeira página e disse: vou parar de escrever o meu, o seu está muito melhor. Eu fiquei meio que chateada dele dizer isso, ai ele me explicou, eu quero que você coloque as estórias dele aqui no seu livro. Depois da festa ele mandou tirar fotocopia do livro pra ficar com ele e depois de ler ele queria dar a Deus e o mundo pra ler, e eu dizia, pai, isso é só pra gente, então fizemos um acordo e ele só  daria o livro pra ser lido por duas pessoas: um foi o ex-governador Divaldo Suruagy e o a outra pessoa era o professor de Português de minhas sobrinhas que era amigo dele do shopping, o Pife. Já de volta aqui recebi um email dele e em anexo uma carta de Suruagy que me deixou muito emocionada ai eu respondi: se um dia publicar essa carta vai ser o prefácio do livro. À partir dessa resposta minha, ele toda semana me perguntava se estava escrevendo e se já estava terminando…. Essa pressão me deu um bloqueio, pois eu tinha que voltar a pensar que era só pra familia e mais ninguém, mas ele queria publicar mesmo. Só terminei o livro no começo de 2014 e disse pra ele que era meu presente pra ele de 80 anos, então ele disse que ia publicar pra me dar de presente de 50 anos! O Pife foi o revisor, e no dia do lançamento eu nunca vou esquecer o olhar de orgulho de papai! Ele era meu editor, meu agente, meu vendedor, era tudo! Pra mim, se o livro não vendesse eu nem ligaria, ja tinha o que queria! Hoje meu sonho é fazer uma segunda edição desse livro e quem sabe um dia alguém escrever um roteiro pra virar filme! Pra quem não sabe o nome do meu livro é: De Repente o Céu! Esse livro trouxe-me de volta à poesia com minhas conversas no WhatsApp com o Pife, que foi o meu revisor e virou meu mentor nas poesias.

Um de meus poemas favoritos dele!

A poeta em mim, de novo, começou a extravasar as dores, e com a partida de minha mãe ela ficou com mais força ainda, pois eu não queria chorar na frente dele. Ele me pediu pra escrever a estória dele com mamãe, então eu disse: pai o senhor escreve e eu reviso, mas ele disse que não queria assim pois ele queria publicar no Facebook, e então depois do jantar todos os dias, sentávamos na sala, ele ia contando as estórias e eu escrevia, aí ele lia, eu preparava as fotos pra ilustrar os textos e publicava no Facebook dele. Ele ficava radiante com a interação das pessoas. Umas pessoas que nem sabiam da partida de minha mãe começou a ligar pra ele. Amigos dos filhos  e netas começaram a o seguir no Facebook pra ler sobre seu romance com sua Maria. Eu sempre terminava os textos com a mesma frase: “Maria, minha querida Maria, saudades eternas!!!”, e pra ele esse foi o bálsamo que precisava, pois nesses textos ele tinha a sua Maria, não só pra ele, mas pra todos que liam sua estórias. Ele a tornou inesquecível, como ela era pra ele!

Então, no dia de hoje eu desejo a todos os pais um feliz dia dos pais, através de um pouco do meu pai! O vídeo de hoje foi feito em Janeiro de 2018. Ele ficou doente em Dezembro de 2017, e na véspera de ano novo eu tive noticias que ele estava mal, desacreditado… eu que já não estava animada pra comemorar ano novo, fiz esse video, que só publiquei depois que ele voltou pra casa… eu estou pagando o maior mico, mas tenho certeza que ele lá de cima continua dizendo: Essa é a filha mais autêntica que tenho!

Pai, um dia a gente também se encontra no céu!

Até a próxima!

Aída

PS: hoje é sexta-feira e são exatamente 16 horas. Texto pronto sem procrastinar!

Todo dia ele aparece na janela,
E fica olhando ali do parapeito,
Sempre com cautela,
Pra não assustar o velhinho em seu leito!

Desde que o velhinho ali chegou,
Ele ficou curioso,
Com seu olhar indagou,
Porque esse olhar copioso?

Mas o velhinho não respondeu,
Muita coisa a acontecer,
Foi então que o passarinho pensou:
Tenho que fazê-lo me perceber.

E todo dia ele voltava,
E o velhinho entristecido,
Não via que ele ali estava,
Pra ser seu companheiro e amigo!

E num dia de muita festa,
O velhinho o viu a observar,
E ele por uma fresta
Da janela tentou entrar!

E o velhinho sorriu,
E disse pro seu passarinho,
Obrigado porque de mim não desistiu,
E eu nunca mais vou me sentir sozinho!

Volte sempre passarinho,
Mesmo quando eu me curar,
Pois esse seu amigo velhinho,
Vai sempre no coração lhe levar!

Aída 02/01/2018

Hoje Pai eu resolvi completar esse poema para me despedir do senhor:

E depois de muito tempo,
O passarinho viu que o velhinho voltou,
Vinha visitar seu amigo atento,
O velhinho que sempre o abrigou!

Hoje o passarinho chora,
Pois não mais pode alegrar seu amigo,
Mas sorri quando lembra de outrora ,
O amor que aprendeu contigo!

Pois aquele velhinho era só amor!

Aída 01/05/2019

  1. Aida, que Maravilha!! Estou muito emocionado, com saudade do meu Pai, que já se foi e da minha Filhinha que mora em Portugal!! Obrigado pelas suas palavras!! DEUS a abençoe e abençoe nossos Pais que certamente estão no Céu a nos esperar!!

    • Grata 🙏🏼 a vc Henrique, por todo carinho ! É uma saudade que não passa né? E sim com certeza a gente tem esse encontro marcado ! 😘

  2. Aida que linda homenagem…uma mistura de reminiscências…uma continuidade…como vc parece com o seu pai…uma inteligência genuína, um sorriso maroto…um passarinho amigo.. um brinde, uma gargalhada…dia feliz…pai feliz…UMA RODA GIGANTE EM LONDRES…um eterno feliz 2018…para SEMPRE!

  3. Autêntica Aída, fiz um percurso pela amizade e homenagens em seus escritos. Tanta coisa que não está dita, mas representada! Enxergo a família amorosa que gerou você e seus irmãos e irmãs. Como a admiração mútua fortalece a união amorosa e constrói o cotidiano. Por sua indicação fui distinguido para projetar o ” Solar dos Britto ” na paradisíaca Garça Torta. Desfrutei do convívio de Dom Fernando e Dona Maria José durante o processo de elaboração, durante a construção e os dez anos (estou certo?) em que residiram. Pessoas de uma ampla gentileza, cultos, bons anfitriões e generosos cultuadores de amizades e de pessoas. O vosso amor filial explicito é um exemplo para todos nós. Congratulações pelo exercício amoroso. Parabéns Família! Abraço muito apertado.

  4. Querido Robertinho, estou sem palavras para responder esse comentário tão carinhoso, ao chamar papai de Dom Fernando e dar o nome a linda casa que vc projetou pra eles, e tenha certeza foram tempos felizes. Mamãe morou lá quase 19 anos e papai 20 anos e meio.
    Fico feliz que tenha gostado e sentido de volta eles por perto… eu senti quando escrevia!
    Grata 🙏🏼 mais uma vez pelo carinho!
    😘

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