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Minha Melhor Professora!

Queridos Leitores,

Parafraseando os ingleses: Como o tempo passa rápido quando estamos nos divertindo! E sim, o tempo passa rápido mesmo. Essa já é minha vigésima coluna! E para comemorar hoje vou falar um pouco de minha melhor professora.

Uma maçã para os professores!

Durante essa semana que passou, foi comemorado no Brasil o dia dos professores e como eu ainda não escrevi sobre minha mãe, que era professora, então vai ser falando dela que farei minha homenagem a esses profissionais que , na minha opinião, são os mais importantes no mundo, nem reis têm essa majestade!

Mamãe e eu a caminho do aeroporto em 2014!

Depois de sua partida, eu fui convocada por papai pra escrever as recordações dele com sua amada Maria, então todas as noites depois do café sentávamos na sala, ele ia contando suas memórias e eu ia escrevendo, aí ele parava, me pedia pra ler o que tinha escrito e  ficava feliz que eu pegava o que ele estava me contando e transformava numa leitura leve e cheia de amor, o amor dele por ela! Essas Recordações foram o maior sucesso no Facebook dele. Pessoas comentavam que já esperavam “o próximo capítulo” e eu e Núbia víamos como isso o deixava feliz e foi assim que ele foi processando aquela partida repentina! Foram nesses momentos que eu entendi a imensidão do amor deles, e foi esse amor que me deu a vida! Foi um momento de muita dor, que eu tive que segurar até que eu voltasse pra cá, pois não queria que ele soubesse o quanto eu estava em cacos!

Eu, mamãe , Núbia e papai prontos para o Pinto em 2008!

Hoje em dia tenho uma visão muito maior de minha mãe, porque nós seres humanos somos assim, a gente como filho, só enxergamos os pais a partir da gente, esquecemos que antes de nascermos eles foram crianças, adolescentes e até adultos e só depois se tornaram pais. E é sobre essa pessoa que vou falar. Minha mãe sempre foi muito inteligente e estudiosa. Ela contava estórias de seu pai, meu avô, que nos deixavam encantadas. Meu avô tinha uma cabeça muito aberta para seu tempo. Sempre fez questão que suas filhas fossem educadas nas melhores escolas e nos 3 últimos anos do colégio ela foi estudar no Sacré Coer do Rio. Ela já namorava com papai e no último ano de escola ela mandou uma carta para papai acabando o namoro pois ela tinha resolvido se tornar freira, com a melhor amiga dela na época. Ele ficou devastado mas não desistiu e quando ela foi passar seu último verão em Aracaju, ele fez ela desistir de ser freira. Ela fez vestibular e passou em Geografia e História. Não sei bem se o nome é esse, mas foi o que ela estudou. No momento não lembro quando ele pediu ao meu avô pela mão de minha mãe em casamento, mas sei que antes mesmo que meu avô dissesse alguma coisa ele disse: mas só nos casaremos quando ela concluir seu curso na faculdade. Sim, meu pai entendia que estudar era importante para ela e para meu avô.  O casamento só foi adiantado pelo estado de saúde de meu avô.

Mamãe eu e Maria Fernanda em foto de Rogério Sarmento

Depois de casados foram para Maceió, pois  papai já morava em Maceió e para ela, acredito eu pois nunca ouvi ela dizer nada sobre isso, foi muito difícil, pois ela não conhecia ninguém em Maceió. Minha mãe acreditava que a mulher tinha que ser independente e com suas qualificações foi ensinar geografia no Colégio Benedito de Morais. Certa vez ouvi uma conversa que a mulher que trabalhava naquela época  era porque o marido não tinha condições de sustentá-la, mas ela não se importava com isso, nem tão pouco meu pai que entendia como minha mãe foi educada.

Eu e mamãe prontas para irmos a um casamento em Janeiro de 2006

Quando éramos pequenas ela nos ensinou e eu como detestava estudar e comecei a tirar notas péssimas ela sentava comigo e me ensinava tudo. Pra mim era tortura, mas hoje vejo como um momento especial que eu passei com ela, muito mais que meus irmãos pois era taxada de ‘preguiçosa’ mas acho que era mais que isso, acredito que eu tinha  dislexia, até hoje eu acho que tenho isso. Mais tarde descobri que eu gostava de estudar história com ela, pois ela contava tudo como se fosse uma grande aventura e aquela leitura chata que as letrinhas pulavam na minha frente virava uma grande descoberta. Até hoje eu gosto de história porque ela transformou tudo numa grande diversão e a chatice só  ficava mesmo com as datas que tinha de decorar. Minha mãe não só me ensinou a lição de casa. Ela me ensinou a rezar, ela me ensinou a respeitar, a brincar, a falar , a andar e o mais importante, ela me ensinou a amar!

Vista da entrada do Castelo de Sissinghurst
A torre do Castelo

Eu cresci num tempo em que se assistia muitos filmes americanos, e séries como Os Waltons, e naquela ‘fantasia’ tinha aquele costume de algum aluno trazer uma maçã para a professora, como forma de carinho ou agradecimento. Nunca vi minha mãe chegar com uma maçã que ganhou de algum aluno, mas a maçã tornou-se um símbolo para os bons professores e foi pensando nisso que resolvi juntar essa matéria sobre minha mãe que mereceu muito mais que uma maçã, mas uma árvore inteira, ao vídeo que fiz no Castelo de Sissinghurst, onde eu vi a macieira mais linda de minha vida, carregada de maçãs vermelhas que dava até pena de tirar uma maçã para não perder nenhum momento de beleza.

A Torre do Castelo de outro ângulo
E mais um pouco de maçã

E para não desapontar minha mãe, vai aqui um pouco de história desse castelo, que na verdade é uma torre, com um jardim/pomar enorme. No começo esse lugar era uma fazenda de porcos, e seu nome se deu por ser uma terra dos saxões que chamavam de ‘saxonhurst’ e hurst significa floresta. Recebeu o nome de castelo quando as construções locais foram usadas como prisão de marinheiros franceses que eram capturados pelos ingleses durante a guerra dos 7 anos. Eles viviam em celas sujas, fedorentas, com pouquíssimo acesso ao ar puro ou água limpa. Esses prisioneiros se referiam a prisão como ‘le chateau’ o que foi colocado no nome, porém, com certeza que eles o chamavam de castelo por sarcasmo!

No jardim do castelo

E fazendo uma viagem no tempo pois não dá pra contar a história do castelo toda, chego no século XX quando Vita Sackville-West , uma poeta, escritora, novelista, jornalista e designer de jardins, junto com seu marido Harold Nicholson compraram o castelo no começo dos anos 30 o castelo era bem diferente do que se vê hoje em dia. Nenhuma das construções do local eram habitáveis, mas foi o ar romântico do local que encantou a poetisa. Ela adorava rosas e com seu marido eles criaram o jardim das rosas. Ela era uma jardineira instintiva e não gostava de ver o chão, então plantava para cobri-lo. No final dos anos 30 eles abriram os jardins para visitação pública. O jardim e o pomar forma feitos por ela. Seu marido, também um escritor construiu uma pequena casa, onde ele tinha uma vista magnífica e tinha que sair de casa e atravessar o pomar para lá chegar para escrever! Quem dera eu poder ter um lugar assim para escrever!

A casa onde Harold Nicholson mandou construir para ser seu lugar para escrever
O interior da casinha de escrever!

Foi nesse pomar que vi essa macieira que me trouxe na memória várias lembranças de minha infância, tipo Branca de Neve, os Waltons e outras estórias românticas, porém uma foi a lembrança de minha mãe, de quando ela era criança. Ela contava que uma vez a madrinha dela veio do Rio pra Aracaju e trouxe de presente para os sobrinhos uma maçã. Vocês devem até pensar que foi um presente mixuruca, mas não, na época era muito difícil chegar no nordeste frutas de clima temperado. Não tinha como transportar. Eu sou do tempo que só comia morangos quando ia pro Rio ou São Paulo. Então minha avó dividiu a maçã entre seus 3 filhos. Meus tios logo comeram seu pedaço, porém mamãe guardou o pedaço dela para levar para o lanche na escola, numa forma de mostrar aos amiguinhos que tinha um pedaço de maçã, mas pra sua decepção quando tirou o pedaço da fruta da lancheira notou que tinha apodrecido e ficou triste, mas aprendeu a lição de que maçã tem que ser comida logo pra não estragar! Rsrs…

Mais maçã !

Minha mãe foi uma criança tímida e calada. Foi uma adulta tímida e calada. Foi uma mãe carinhosa, tímida e calada. Um casal perfeito, ela calada observava tudo e papai o falador que tinha o maior orgulho de contar para todos que tinha casado com essa preciosidade que falava francês fluentemente; e que quando fez as provas de francês mais difíceis foi confundida com uma francesa; que segurou a mão dele quando perdemos Adriana e Ricardo, e mesmo depois de ter sido diagnosticada com o mal de Parkinson ela continuava segurando a onda de todos nós. Minha mãe foi avó e mãe de minha filha! Aprendemos juntas a ser mãe por correspondência! Isso mesmo, ela sempre me consultava no que fazer sobre a Nanda e toda educação dada a ela foi feita por carta, que discutíamos os passos a serem tomados e eu pude ser mãe de minha filha, mesmo que ela não me considere mãe,  mas minha mãe sempre fez questão disso, e quando eu dizia pra ela decidir, ela me dava bronca, mesmo sabendo que eu decidiria do jeito que ela queria pois afinal foi ela quem me educou!

Mamãe e Ricardo no inicio dos anos 80
Dia das mães com Ricardo e Nanda em 2006

No meu caso caros leitores, a função de professor confundiu-se com a função de mãe, porém não é por isso que vou desvalorizar todos os professores e todas as pessoas que me ensinaram e ensinam, pelo contrário tenho mais respeito e valorizo a todas essas pessoas que se deram e se dão para que eu tenha aprendido e que continue aprendendo, pois a vida é um eterno aprendizado!

Brincando com minha câmera
Minha formatura em 1988

A vocês professores desejo uma macieira, pois são vocês que abrem as portas do mundo para nós, meros mortais!

A macieira!

Como sempre deixo vocês com minhas fotos, minha poesia visual e o vídeo do Castelo de Sissinghurst!

Viva a minha vigésima coluna!

Até a próxima!

Aída

  1. Aída Barros de Britto, de Maria José e de Fernando, assim mãe de Maria Fernanda! “Pai e Mãe, ouro de mina” no dizer do poeta Djavan que é amigo da Garça Torta.
    Minhas muitas congratulações pela vigésima coluna POESIA VISUAL sempre digna de aplausos. Para nós, seus leitores, fonte de aprendizado e deleite. Aguardamos carinhosamente os capítulos e aventuras próximas. Uma maçã bem deliciosa para você, com muitos afetos. Beijos.

    • Grata 🙏🏼 Robertinho! Acho que a coluna mais difícil de escrever pois minha mãe não gostava dos holofotes… mas como não homenagea-la como professora? E a macieira foi o único elo do vídeo a essa homenagem… tive que me segurar pra não colocar mais poesias que fiz pra ela!
      Grata 🙏🏼 meu amigo e uma maçã 🍎 e um beijo 😘 pra vc !

  2. Uau!!!! Sensacional!!
    Como o tempo passa rápido, quando leio sua coluna, Aída!
    Quando estou lendo, anoto alguns pontos para respondê-los, evitando esquecê-los!! Kkkk
    Homenagem merecida aos professores, especialmente a sua mãe, que amava a arte de ensinar e mais ainda praticava dentro de casa, que exemplo maravilhoso.
    E a letra da música do Roberto é assim: “de hoje em diante, eu vou modificar o meu modo de vida…. E prá começar, eu só vou gostar de quem gosta de mim”
    Coluna 20. Edição especial, pois também participei dela, sugerindo para a edição do vídeo do castelo, a música do Santa Esmeralda. Obrigado pelos créditos. Desejamos continuar por aqui muito tempo pra curtir suas histórias, suas memórias e a de seus pais. Até breve.

    • Pois é meu amigo, 20 colunas e eu ainda tenho coisa pra contar… 😂
      Tenho feito essa mudança de meu modo de vida desde então, e escrever essa coluna faz parte disso e doa a quem doer, eu só vou gostar de quem gosta de mim!
      Uma edição mais que especial, com a música sugerida por vc, num momento especial de sua vida que você tirou um tempinho pra sugerir! Tinha mais que dar os créditos pois a música deixou o vídeo bem alegre! Sim até a próxima e grata por seu carinho! 😘

  3. Oiiiiiii! Aída, realmente é um verdadeiro privilégio ter em nossas vidas uma pessoa como você. Compartilhar sua histórias tem sido um enriquecedor, além de divertido. Sua mãe foi, e continua sendo, uma benção para você, assim como você é benção para sua filha. Importante ressaltar a música sugerida pelo Albino 🎯 🥰😘 até a próxima coluna🥰

    • Querida Denilma! Você não sabe como meu coração se encheu de alegria ao ler seu comentário. Fico muito insegura ao me ‘desnudar’ nessas minhas colunas e comentários como o seu só fortalecem minha determinação de continuar escrevendo ! Grata 🙏🏼 mesmo por seu carinho! E sim o Albino acertou na música do vídeo não foi? 😘

  4. Mais uma vez me emocionei com o comentário da amiga de minha tia, que agora posso chamar de minha. Como na coluna anterior o comentário dela se perdeu então ela prefere escrever no WhatsApp e eu coloco aqui porque não posso guardar tanto carinho assim só pra mim! Veja na resposta desse comentário:

    • Comentário de Glória Albano:
      Oi, Aida ! Li chorando muito a sua coluna sobre a sua convivência amorosa com uma mae pra lá que especial, fina, educada, sobretudo, super sensível, muito amada pelos filhos por seu respeito absoluto às características individuais de cada um deles…Conheci Maria José nos anos 70 do seculo passado, porém antes de conhecê-la pessoalmente, convivi com a presença dela através dos relatos da irmã, Maria Helena, minha amiga e colega de Bolsa, que a idolatrava , que apreciava e que me fez também gostar muito dela antes e depois de nos encontrarmos pessoalmente. Criatura agradável, simples, alegre…No nosso último encontro em Aracajú, ela cantarolou e tamborilou na mesa. Adorei ,Aida, a sua coluna prenhe de muitas lembranças queridas. Vc é com certeza a extensão de tudo de bom que vc aprendeu com ela…Fico por aqui, aguardando a nova coluna ! Até breve !

  5. Que história linda!
    Quanto amor entre seus pais!
    Com certeza, você deu muito orgulho para eles!
    Enquanto eu lia sua história , viajei no tempo e de repente estava no edifício Nubia quando conheci sua mãe.
    Lembro do vento pelo apartamento, as fotos e da sua mãe enquanto estudávamos.

  6. Excelente!! Homenagem merecida, nossas mães são realmente nossas melhores professoras!! Como JESUS aprendeu com MARIA, nós aprendemos com nossas mães!! Imagino que seu pai aprendeu muito com sua mãe, como eu aprendo muito com minha esposa!! Parabéns para todas as maravilhosas mulheres!! DEUS a abençoe, minha Amiga, que você continue inspirada e nos inspirando!!

  7. Quanto carinho Henrique! Grata 🙏🏼! Com certeza ele aprendeu muito com ela e vice versa! Você e todos os leitores também me inspiram! 😘

    • Grata 🙏🏼 Tadeia! As vezes penso que meu textos ficam cansativos por causa dos detalhes… mas receber essa crítica me inspira pra continuar assim do meu jeitinho! 😘

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