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Balbúrdia no Jardim!

Queridos Leitores,

Essa semana eu resolvi dar uma sacudida nisso aqui… rsrs

É o seguinte, toda semana eu termino de escrever minha coluna aí vou procurar as fotos e por fim procuro a poesia que vai ser o final de minha coluna, pois como sou “Poeta Visual” meu compromisso comigo mesma é também divulgar minhas poesias e minhas fotografias que se misturam… às vezes a poesia é somente a fotografia!

Foi procurando poesia que achei uma que eu literalmente viajei na maionese e achei que fazer um artigo sobre ela, mas sendo ela o artigo ia ficar interessante. Então vamos lá.

Desde que me lembro adoro poesia. Minha ligação com música sempre foi a poesia, e muitas vezes menciono músicas ou versos de músicas em minhas colunas pois pra tudo em minha vida eu tenho uma trilha sonora de versos para comparar. Com o passar do tempo olhava minhas fotos e via a poesia nelas, na composição, no que estava sentindo na hora do clique e foi assim que comecei a escrever minhas poesias visuais.

Em Fevereiro de 2020 eu vim morar aqui onde moro atualmente. Sozinha no meu ap de um quarto e a primeira pessoa que conheci aqui foi o velho que morava no apartamento embaixo do meu. Logo depois que me mudei começou o lockdown, menos de um mês, e por coincidência naquele ano a primavera e o verão foram ótimos, com muito sol e isso fazia com que o velhote saísse de casa, sentasse numa cadeira bem na frente do prédio com uma garrafa de rum e uma de coca. Ele começava cedo e sempre cantando e conversando com todo mundo que chegava ou saia. Ele também gostava de sair cedo, antes de começar a beber para ir fazer compras e sempre voltava com mudas de flores que ele nem se dava ao trabalho de replanta-las. Comprava também um monte de coisa para colocar entre os vasos das mudas, tipo cachorro de cerâmica, gatos, coelhos. Ele tinha também no jardim aqueles postes para colocar comida para os passarinhos, o que atraia muitos pombos, porém de manhã era bem legal ouvir os passarinhos cantando, ele ficava na maior felicidade. Realmente ele conseguiu agregar as pessoas aqui na frente e era sempre uma festa. O inverno veio e matou as plantas todas, mas ele enfeitava o jardim com decorações de Natal.

No ano seguinte, a primavera e o verão foram chuvosos, mas ele continuava naquela de comprar as flores e as decorações para o jardim e foi nesse ano que eu escrevi essa poesia. Eu tinha terminado minha radioterapia em maio e para mim, qualquer caminhadinha de leve me deixava exausta, mas eu queria sair e fotografar pois sentia falta, e nessa vontade de fotografar, um dia, quando não tinha ninguém lá embaixo eu desci com minha câmera e sai fotografando as flores e depois eu colocava a foto no Instagram e escrevia uma estrofe. Foram 12 fotos e foram 12 estrofes… viajei no meio do jardim com minha câmera e viajei depois no Instagram com as estrofes e sem mais delongas aqui vai a poesia!

Num momento de luz,
Num momento de calor,
O Sorriso me seduz,
E me chama: vem cá, amor!

E com o coração disparado,
Fui ver o sorriso de perto,
E não foi surpresa ter encontrado,
Muito mais que um sorriso aberto!

O seu despertar preguiçoso,
De pétalas aveludadas,
Me convidaram para um amanhecer glorioso,
Com muito sol, cores e risadas!

Sua alegria e risadas,
Acordando do jardim, as criaturas,
Tornando tudo em uma sintonia inusitada,
Emocionante como uma nova aventura.

E aos poucos todos acordam,
Virando uma zuada prazerosa,
Com seus sorrisos me chamam,
E meus olhos acham a rosa rosa!

Uma risada infantil,
Chama a minha atenção,
E num movimento sutil,
Descubro um lindo botão.

No meio daquela zuada,
Percebo um festival de cores,
Me sentindo de sorrisos enfeitada,
Pois minha presença também acordou as flores.

O morango grita aflito,
‘Ei, não esqueça de mim
Ainda estou verde e não estou bonito,
Mas vou ficar vermelho carmim’.

Em meio àquela balbúrdia,
As flores pequeninas,
Numa amigável discórdia,
Afirmam que a cor rosa é a mais feminina!

Esse comentário,
Aumentou a balbúrdia,
Ser feminina não é prioritário,
O importante é que de cores somos a melodia.

Na verdade não é isso que importa,
Nem os galhos, os gritos ou as cores,
O importante é o que nos conforta,
O importante é olhar as flores!

E de cima tudo via,
Pois vive naquela sacada,
Nos protegendo com sabedoria,
É de São Jorge a espada!

Aída

27/06/21

E como diz os Titãs : as flores de plástico não morrem. E eu completo: a poesia das flores eternizam suas vidas!

Até a próxima!

Aída

    • Grata 🙏🏼 Robertinho! Foi difícil decidir isso, mas acho que temos que estar sempre tentando variar… e essa foi minha tentativa! 😘

    • Aída querida, a crônica poética do velho na crueldade da pandemia transformada em poemas “visuais” foi de uma sensibilidade arrebatadora! Me amigo Albino que enviou! Parabéns!

  1. Aída, foi uma foto para cada estrofe ou uma estrofe para cada foto? Não importa, independe de quem veio primeiro. A sintonia ficou perfeita. Viajei no seu jardim de cores e perfumes.
    Até a próxima. Chero.

  2. Parabéns Aída! Leitura fluida, com as imagens correspondentes que fazem com que nos sintamos no seu jardim conversando com as flores também! 👏🏻👏🏻

  3. Aída querida, a crônica da dureza da solidão da pandemia, com o velho e suas flores foi transformada em poesia! Que beleza descobrir esse seu trabalho que meu amigo Albino me enviou! Bjs

  4. Que maravilha Aida,as flores trazem paz,amor,animam nossa vida…e o vizinho velhinho teve uma ação tão harmoniosa,fazendo a rotina mais leve e com certeza fazendo todos floridos…pétalas!!

    • Grata 🙏🏼 Cris! Realmente era assim, mas o alcoolismo é uma doença cruel e triste… hoje ele vive num asilo. Volte sempre Cris! 😘

  5. Fotografar as flores e depois colocar as fotos no Instagram e escrever estrofes, foi sensacional e nós que viajamos no meio desse jardim. Perfeito 👏🏼👏🏼👏🏼

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