domingo, abril 19, 2026
No menu items!
HomePoeta Visual no NCSexta-Feira Azul!

Sexta-Feira Azul!

Queridos Leitores,

Como vocês devem estar percebendo ao me acompanharem aqui nessa modesta coluna, eu tenho minhas próprias nomenclaturas, meu próprio jeito de interpretar ou até mesmo traduzir certos termos para o português, porque acho que muitas coisas são inseridas no vocabulário das pessoas no Brasil, mas sem mesmo saberem o que realmente significam.

Minha mãe linda nos anos 80 e com as netas Maria Fernanda a mais velha e Maria Gabriela a mais nova!

É o caso da ‘Black Friday’ uma invenção americana que foi adotada por quase todo mundo, digo quase porque não acredito que em países onde não há liberdade de comércio não tem como ela existir. Eles, os comerciantes americanos fazem um balanço em seus negócios e para terminarem o ano no ‘azul’ eles liquidam todo seu estoque. Em inglês a expressão ‘no azul’ eles dizem ‘no preto’ e assim eles deram esse nome à última sexta-feira de novembro e que hoje virou uma coisa oficial em países capitalistas.

Minha mãe bordando no terraço, seu lugar preferido, e o Web, herança de Ricardo que não desgrudava dela
Ricardo e mamãe, seu eterno bebezinho! Foto de Ricardo

Pois bem, no dia 27 de Novembro é o aniversário de partida de minha mãe, que caiu numa ‘Sexta-Feira Azul’ em 2015, 8 anos atrás. Desde então o mês de Novembro pra mim é meio que torturante, pois em meio a esse consumismo sem precedentes as pessoas esquecem o mais importante que é ‘ser’ e se concentram no ‘ter’!

Seu sorriso mais lindo!

Falar desse dia é difícil e me deixa muito triste, por isso que vou homenagear minha mãe e falar da saudade que sinto dela contando um momento que aconteceu conosco e que nunca esquecemos e toda vez que a gente lembrava disso a gente caia na gargalhada, daquelas de balançar a barriga.

No portão onde fotografava tudo… ao fundo a casa dos sonhos dela!

Eu devia ter meus 15 ou 16 anos, o ballet Bolshoi estava vindo dançar em Recife, devia ser final de outubro ou novembro, pois o comércio já estava vendendo decorações de Natal. Eu quando soube que o Bolshoi ia dançar em Recife cheguei em casa toda feliz já pedindo a mamãe para a gente ir . Era contra-mão, mas os grupos de ballet internacionais só iam para Recife e eram oportunidades únicas de ver esses grupos.

Fotografava os surfistas no ‘point’ Ricardinho, como eu batizei, pois ele foi um dos primeiros a surfar ali!

Para minha surpresa ela disse que sim, que a gente podia ir sim e que íamos com uma amiga dela que tinha apartamento em Recife e o motorista dela iria nos levar. Ela também providenciou para um amigo de papai comprar os ingressos para nós 3. Foi uma aventura diferente, eu e as coroas… rsrs. Então chegou o dia e lá fomos nós. Acho que era um sábado. Acordamos bem cedo pois a amiga de mamãe ia passar para nos apanhar bem cedinho. As coroas queriam fazer compras e o ballet foi a desculpa. Foi uma viagem divertida, eu ria demais com a conversa delas , mas depois de uma hora no carro, adormecemos e só acordamos já em Recife. Deixamos nossas mochilas no apartamento e fomos para o Shopping, Maceió ainda não tinha shopping e para as coroas essa era a atração. A amiga de mamãe tinha combinado com uma pessoa de se encontrarem lá e lógico que eu mamãe fomos perambular até a hora que tínhamos marcado para nos encontrar para irmos para o teatro de noite.

Fotografava Maceió quase toda nublada no amanhecer!

Eu e mamãe ficamos vendo vitrines, rindo, conversando. Eu sempre fui faladeira e estava muito feliz pois ia assistir ao Bolshoi! Almoçamos no shopping e voltamos a caminhar pelo shopping até que ela resolveu entrar numa loja de departamentos. Fomos andando até chegar na parte onde tinham as decorações de Natal, então começamos a ver as coisas e nos separamos um pouco, eu de um lado do departamento e ela do outro, aí de repente ela grita:

-Aííída, eles têm as luzinhas pisca-pisca aqui!

E olhou em minha direção, eu fiquei morta de vergonha e fiz como as outras pessoas que estavam por perto que também queriam saber quem era a Aída e olhei na mesma direção dela! Aí ela se tocou que eu estava querendo um buraco pra me esconder daquela louca que parecia nunca ter visto luzinha pisca-pisca na vida e começou a rir, eu aproveitei pra me esconder e quando ela me viu de novo eu apontei para onde eu estava indo. Ela não conseguia parar de rir, e eu fugindo dela! Finalmente quando estávamos fora da loja ela me perguntou porque eu estava fugindo dela ai eu disse: Você parecia uma matuta que nunca tinha visto luzinhas na vida, eu fiquei com vergonha! Agora era eu e ela rindo sem parar!

Nos tempos em que era bailarina!

Deu a hora, fomos nos encontrar com a amiga dela, voltamos para o apartamento descansamos um pouco, nos aprontamos, tomamos um café e fomos para o teatro e quando as luzes apagaram não deu meia hora e as duas coroas já estavam dormindo, eu sai do teatro rindo que não conseguia me controlar. No outro dia no carro a viagem foi só de risada da matutice de mamãe e das duas coroas não vendo nada do Bolshoi!

Mais dos meus tempos bailarina!

Para mim essa viagem foi um dos melhores momentos ‘mãe e filha’ que tive com minha mãe!

Outra lembrança doce era quando nos últimos anos de sua vida eu sempre perguntava a ela qual era a melhor época de ir para tê-la só para mim. Ela adorava isso e quando eu chegava lá ela fazia de contas que ficava preocupada porque eu me levantava cedo e eu respondia: ‘ninguém pode dormir nessa casa barulhenta’ e eu via um sorriso discreto no rosto dela. Quando ela podia, nós caminhávamos juntas na praia e depois que ela não podia mais eu ficava no portão do jardim fotografando, e um dia eu vi um beija-flor que vinha sempre no jardim ai eu decidi que ia fotografar esse beija-flor e quase todas as manhãs quando eu voltava da caminhada eu ficava de prontidão esperando o beija-flor, e me frustrando a cada momento que ele me driblava . Papai ouvia os gritos e risadas e saia do escritório para rir com ela e hoje eu vou mostrar a vocês a poesia que escrevi relembrando esses momentos de vigília para fotografar o beija-flor, que fugia da minha câmera mas que eu o peguei no celular! Para o papai esse poema era o seu preferido!

O jardim que os beija-flores gostavam, e a tatuagem que fiz em homenagem a minha mãe

Minha mãe era a pessoa mais doce que eu conheci, a saudade que sinto dela é tão grande que não dá para descrever, e sim aquela sexta-feira foi ‘black’ porque eu perdi o meu chão, mas hoje gosto de chamar de ‘Sexta-Feira Azul’ por que  foi numa ‘Black Friday’ o dia que minha mãe foi para o céu!

“Mãe, um dia a gente também se encontra no céu!”

E para vocês meus leitores , até a próxima!

Aída

O Beija-Flor Arisco

O beija-flor arisco,
Vem de fininho,
Do nada aparece,
E da flor rouba um beijinho!

Tão esperto e ligeiro,
Ele traz alegria as flores,
Com seu voar matreiro,
Trazendo sorriso levando dores!

Eu espero esse beija-flor,
Para de novo sorrir,
Pra ele levar minha dor
E de novo o mundo colorir!

Mas ele não aparece mais,
Pois sua flor preferida
Já não suspira seus ‘ais’
E ele não chora a flor perdida….

E eu agora sem flor,
Me sinto meio sem chão,
Pois não sei se é saudade do beija-flor
Ou se esse amor foi em vão….

Sei que ele vai voltar,
E eu vou sorrir de novo,
Por enquanto só posso sonhar
Com a volta do meu beija-flor teimoso!

Ah como eu queria ser uma flor!
E merecer o seu beijar,
Pois eu tenho por ele tanto amor
E fico feliz em saber que o seu voar
Lhe faz feliz!

Voa beija-flor!

Aída

12/07/2016

    • Grata 🙏🏼 Anacy! Tem sido uma semana difícil e o melhor jeito que achei de me consolar foi contando essas aventuras com minha mãe! 😘 volte sempre!

  1. Uau!!! Sensacional!!
    Show no relato de momentos inesquecíveis que você passou junto de sua mãezinha.
    Fico imaginando a cena lá no shopping em Recife. Kkkkk
    Sobre a foto, que você mostrou com o sorriso mais lindo de sua mãe, dedico a vocês, uma música do Ivan Lins, que diz: “Quero sua risada mais gostosa, esse seu jeito de achar, que a vida pode ser maravilhosa”
    Aííída, eles tem as luzinhas pisca-pisca aqui.
    E assim foi. E assim será. Eternamente.
    Bjs

    • Como sempre você me emociona em perceber os mínimos detalhes! Grata 🙏🏼 meu amigo! Você está se tornando meu termômetro 🌡️! Seu comentário é sempre esperado! 😘

  2. O comentário abaixo foi mandado por uma querida amiga que me permitiu publicar aqui! Fiquei super feliz com o comentário dela e quero compartilhar com todos!

    • Simone Lins escreveu:
      Amiga, que talento vc tem!
      Ao ler seus relatos cheio de amor e sentimentos bons, vamos entrando em seu mundo, na sua história de vida e sentindo o qto foi amada e deu amor a seus pais. Sua mãezinha faleceu em um dia lindo, dia de NSra das Graças, da medalha milagrosa, tenha certeza, Aida, que nossa mãezinha santíssima veio buscar sua “rosa”, seu grande amor e ela foi mto bem acolhida e lá de cima olha por vc. Grave o dia 27/11, como a data de NSra que amava mto sua mãezinha e a levou no dia Dela.
      👏👏👏por sua coluna!
      Assim que possível, vou ler as outras, continue distribuindo seu talento na escrita e distribuindo amor!!! 🥰

  3. Aíiida!!!!! Impossível não se emocionar, impossível não viver esses momentos junto com você. Para mim é como se eu também estivesse lá.😊

    • Pois é Denilma, já que não posso mais rir junto com ela fico feliz em compartilhar nossas risadas… alivia a saudade! 🥰 volte sempre! 😘

  4. Nossas Mães são luzinhas que DEUS nos deu para iluminar nossas vidas, hoje, a sua está piscando lá no Céu!! Que DEUS nos dê a bênção sermos luzes uns para os outros, como vc vem sendo para nós ao compartilhar momentos tão deliciosos, com a arte e a leveza de uma bailarina!! DEUS a abençoe, DEUS abençoe nossas Mães!!

  5. Amém Henrique! Nunca pensei em ler tamanho elogio em forma de carinho! Como diz minha irmã Núbia: uma vez bailarina pra sempre bailarina 🩰! E você confirmou isso pra mim agora! Danço com o corpo , com a alma e com as palavras pra sim, tornar a vida bem leve! Grata 🙏🏼! 😘

    • Grata 🙏🏼 Samira! Essa poesia também marca a minha volta a escrever poesia, por isso que gosto tanto dela! 😘 volte sempre minha amiga!

  6. Aída, que bom poder fazer a leitura semanal de “POESIA VISUAL”, cada vez me descubro a perceber beleza em tudo que você relaciona: texto, imagens, poesias, contextos!
    Esteta por natureza. Seu espaço é de suma gentileza.
    Um beijo e obrigado.

    • Eu que agradeço Robertinho sua gentileza e atenção! Quando comecei a me chamar de ‘poeta visual’ foi quando eu olhava para minhas fotos , talvez as menos impactantes para o olho normal e via a maior beleza nelas então percebi que realmente a beleza está nos olhos de quem vê! Ver a minha mãe na beleza das fotos é acalentador para o meu coração! 🥰 😘

  7. Aida,suas memórias são tão presentes…sua mãe e você doce momento,como era suave e forte Maria José, tia Maria…aconchego, nossos pais eram amigos…outro lindo momento.. vc bailarina, tão linda,Ricardinho e a onda no mar…ah beija flor volta pra cá!!!

    • Grata 🙏🏼 Cris pelo seu lindo e poético comentário! São tantos momentos que a gente os vive sem perceber seu valor! Volte sempre Cris! 😘

Deixe um comentário para Anacy Pacheco Cancel reply

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS VISTOS

Como uma Folha no Outono

Como uma Folha no Outono

O Amém do Anjos

Melting the Ice Cream!

ARTIGOS RELACIONADOS