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A Verdadeira Aída: Samba, Shakespeare e Aventuras Londrinas!

As memórias de uma gringa com sangue brasileiro na cidade que me abraçou.

Queridos leitores,

Fazendo aqui meus cálculos de quantas matérias ainda tenho para este mês, me dei conta de que, no dia 21 de agosto, é o meu aniversário de “chegada” aqui na Inglaterra!

Este ano, completo 36 anos morando aqui! Uau! Nem eu mesma acredito que já faz tanto tempo. Parece que foi ontem que cheguei, depois de um pequeno tour pela Europa.

Vir para cá naquele momento da minha vida, com a intenção de passar apenas um ano, foi como a minha última tábua de salvação. Eu me sentia “mais perdida que cego em tiroteio” e ter tido essa chance — sabendo que a Nanda ia ficar com quem eu mais confiava — foi reconfortante, mas a separação foi a coisa mais difícil da minha vida.

David ainda na expectativa do que iria acontecer e o Ed e a Rosa prontos para cairem no samba!

Sair de casa para morar fora do país foi um choque muito grande no meu sistema. O plano inicial era temporário, mas, quando esse tempo passou, eu não conseguia mais voltar a ser quem eu era. Gostei mais da Aída daqui do que da Aída do Brasil. Gostava de ser eu mesma, de não ter cobranças por todos os lados. Deixei de ser a “filhinha de papai” para crescer e descobrir que, na verdade, aquela Aída do Brasil já não tinha mais nada a ver comigo!

Acredito que o único carro alegórico … mas posso estar errada!

Quando eu era mais jovem, achava lindo alguém dizer: “10 anos atrás”. Eu ainda não tinha tempo de vida suficiente para afirmar isso, mas hoje posso dizer o mesmo até sobre o meu passado aqui. E sim, hoje vou falar de uma aventura de 21 anos atrás. Adivinhem? David estava nela! (rsrs)

Até rever essa foto eu não lembrava do nome da escola… uma bateria decente!

Eu tinha conhecido o David no final de 2004 e nós continuamos com o nosso namoro apesar das dificuldades, pois eu morava no sudoeste de Londres e ele em St. Albans (que fica ao norte, fora da cidade). Era muita vontade mesmo de ficarmos juntos!

Para quem não sabe, no último final de semana de agosto acontece o famoso Carnaval de Notting Hill. É feriado no país inteiro, mas a festa se concentra apenas nessa área de Londres. 

David com minha Sony cybershot e eu no samba!

David, além de arquiteto, é também antiquário, e por muito tempo teve um ponto na celebrada feira de antiguidades de Portobello Road. Essa rua é um ponto turístico por suas lojas e pela feira aos sábados. Inclusive, na abertura do filme Um Lugar Chamado Notting Hill, o David aparece! Esse detalhe foi, na verdade, uma maneira de eu checar a história dele: na época, tínhamos nos conhecido através de um site de namoro, e, uma semana após o nosso primeiro encontro, fui com uma amiga à feira de Portobello só para ver se ele estava falando a verdade.

Essas fotos são parte da história do samba aqui em Londres. Ed e Rosa na frente da ala dos passistas!

Voltando ao carnaval: ele sempre acontece no domingo e na segunda-feira, então, no sábado, a feira funciona normalmente. Eu estava trabalhando como freelancer, e os sábados de verão eram sempre movimentados com muitos casamentos. No final do dia, fui encontrá-lo na feira e de lá fomos para St. Albans. Vale ressaltar que, devido à feira e ao meu trabalho, nós dois tínhamos levantado bem cedo naquele sábado. Combinamos que na segunda-feira — o dia do carnaval para adultos — chegaríamos lá cedinho para ver a bateria de uma escola de samba local esquentar, e depois seguiríamos para curtir o resto do dia em outro canto de Londres.

Rosa e Ed começando a esquentar! O Sol, nessa época, era ‘parece mas não é , parece quente mas não é ….rsrs

Em vez de dormirmos cedo no domingo, ficamos vendo filmes e tomando vinho. O resultado? Na segunda de manhã, tivemos muita dificuldade de acordar cedo para chegar a tempo. Mas conseguimos e lá fomos nós, dois jovens senhores — ele com 42 e eu com 41 —, de volta a Londres. No dia do carnaval, a organização da cidade muda: nem todas as estações de metrô ficam abertas para desembarque, então caminhar é a única solução.

O abre alas da Unidos de Londres!

Chegamos à concentração (era a Unidos de Londres). Quando deu 9 horas da manhã e a bateria começou, o David ficou encantado, de queixo caído não só com o som, mas com o pessoal dançando. Eu dancei, me esbaldei! Ele até tentou, mas a maior surpresa para ele foi ver como a escola de samba era diferente de tudo o que havia no carnaval de lá, que tem uma pegada predominantemente caribenha.

David só tentando entender a arrumação.

Quando a escola começou a se formar para entrar na “avenida” (que, na verdade, é um percurso sinuoso onde os grupos ficam à espreita e entram quando estão prontos), percebemos que seria muito chão pela frente. Como nós não íamos acompanhar a escola, escapamos dali, já exaustos.

E eu so queria o nome ‘Londres’!

Não lembro bem, mas acho que paramos em algum lugar para almoçar e dali decidimos ir para Southbank (na margem sul do Tâmisa), um lugar de que gostamos muito. Éramos difíceis na queda! A exaustão já tomava conta de nós dois, mas resistimos. Atravessamos uma das Golden Jubilee Bridge (que fica entre a ponte de Waterloo e Westminster) e, ao passarmos em frente ao Globe Theatre — o teatro de Shakespeare —, vimos que havia uma peça em cartaz.

Eu na ponte de pedestre e atrás de mim a ponte de Waterloo!

Compramos nossos ingressos no setor mais barato, que ficava no centro do teatro, onde o público assiste em pé. Para quem não conhece, o Globe atual é uma réplica exata, construída no mesmo local do original. Por ser um teatro circular, a área mais econômica era destinada ao povo (que ficava em pé), enquanto os nobres ocupavam as arquibancadas.

David admirando a vista do rio, que é sempre bela e o detalhe da sustentação da ponte!

Entramos e, antes de a peça começar, decidimos sentar um pouco no chão. Nisso, veio um lanterninha bem chato dizendo que não podíamos ficar ali. Tentamos argumentar, explicando que levantaríamos assim que o espetáculo começasse, mas não teve jeito. Tivemos que ficar de pé. Quando a peça finalmente começou, nós dois, cansadíssimos, resolvemos nos encostar na parede. Para a nossa surpresa(só que não!), o mesmo funcionário voltou e avisou que também não podíamos nos apoiar lá… Estava de onda com a nossa cara, só podia! (rsrs). Eu até disse: “É melhor assim, pelo menos a gente não dorme!”.

Esperando nosso comida, de todas as fotos que tirei essa foi a que saimos melhor… rsrs… tive que pedir a IA para tirar o tremor… o cansaço já tinha se instalado!

A peça não era ruim, mas o cansaço era avassalador! Ficamos ali, um encostado no outro, e, acreditem: nós dois dormimos em pé! Assistimos a apenas alguns pedaços e acabamos acordando no susto com os aplausos finais. Olhamos um para o outro, começamos a rir e aplaudimos também, é lógico! Até hoje tentamos lembrar o nome da peça, mas nunca conseguimos.

Esse é o teto do palco… não sei se estava sentada ou ainda em pé !

Depois dali, tudo o que fizemos foi como um sonho. Agimos no automático, lutando para nos mantermos acordados e não irmos parar no fim da linha do trem! Na verdade, nem sei como conseguimos chegar de volta a St. Albans.

A lateral do palco, mostrando as arquibancadas… segunda foto vagabunda que nem lembro que tirei…rsrs

Anos mais tarde, eu e a Maria Fernanda fizemos um tour por dentro desse mesmo teatro. Na véspera, tínhamos assistido ao filme Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love), o que ajudou para que ela tivesse uma noção melhor de como eram as peças na época.

E esse outro lado do palco do teatro foi a ultima foto tirada nesse dia, as outras tirei no sonho que tive quando dormi em pé ! rsrs

Às vezes, fico pensando em quantas “estórias” (sem H, porque não sou fato histórico) vivi por essa Londres afora. A cada dia descubro coisas novas nesta cidade que me abraçou — do seu jeito inglês de abraçar, claro! É aqui que eu sou a verdadeira Aída, com as minhas doidices, as minhas lutas e sempre com um sorriso no rosto.

Em janiero de 2009 eu e Nanda chegando no Globe para nosso tour e ela numa selfie que dá uma ideia melhor do espaço … vou fazer esse tour novamente para mostrar a vocês mais detalhes! Fotos: Maria Fernanda Britto

E sim, transformar toda essa minha vivência no meu trabalho oficial tem sido incrível! Hoje, ofereço meus serviços de consultoria para roteiros personalizados e ensaios fotográficos profissionais em Londres. Se você está planejando vir para cá e quer vivenciar a cidade sob a perspectiva de uma gringa com sangue brasileiro — seja organizando um roteiro sob medida ou garantindo fotos inesquecíveis —, convido você a contratar esse meu olhar para a sua viagem. Entre em contato para conhecer os detalhes e agendar!

Fiquem com as fotos e a poesia!

Até a próxima!

Aída

Foi o caminho da fuga,
Da paz tão desejada.
Minhas lágrimas não enxuga,
Mas eu posso ser “danada”!

Fugindo da falsa vida,
Me jogando no fogareiro,
Achando a verdadeira Aída,
Me transformando numa gringa com sangue brasileiro!

Aída
15/08/26

10 COMMENTS

  1. Muito legal,e tbm pq eu e vc salimos num bloco ,vc lembra? Faz tempo,nem lembro…anos 90…nos divertimos muito ,bebemos todas,nos davam latas de cerveza…foi muito bom…boas lembranças…bjus

    • Sim minha amiga, ai você foi muito mais fundo no baú… lembro sim, e para nossa sorte não existia internet nem redes sociais pra ver a gente aprontando… quer dizer, aproveitando… 😝 volte sempre e brigada por seu comentário ! 😘

  2. Oiee
    Aida,
    Legal te encontra dessa forma sempre levando a vida como uma poesia e muitos livros com chocolate.
    Trabalhamos na CABS – Construtora em Maceio 1989
    Abs.

    • Oi Denilson! Tudo bem? Quanto tempo né? Como você me achou? Como achou meu site? Quanto a CABS, gostaria de esquecer, só gente louca éramos os normais… rsrs 😆 volte sempre, aqui tem um poço de tudo: poesia, meus causos, muitas fotos e até ficção em inglês! 🥰

  3. Olá 👋, Aída! Sou amiga da Rosinha, Rosa Nazira, fomos colegas na Casa de Cultura Britânica, antiga reitoria, Ufal.
    Muito legal seu artigo sobre sua coragem de largar tudo e ir se aventurar em um país tão diferente do nosso. Admiro muito pessoas assim, feito você e Rosinha.Parabéns! Bravoooooooo 👏!

    • Oi Ãngela! É sempre um prazer receber novos leitores! Sempre acreditei que a gente tem que correr atrás da felicidade, e vim parar aqui foi somente isso! Muito obrigada e volte sempre! 😘

  4. Celebrar o tempo…celebrar a vida..
    36 anos conhecendo o improvável,revelando sua identidade…sangue brasileiro…no palco o cochilo arneiro …e sua filha também vendo o óbvio…uma menina tão parecida com você Aída destas histórias…obrigada por ter resistido…obrigada por ter saído na escola de samba…digo,ter sambado ba na pipoca,do lado de lá…ter encontrado David…companheiro das aventuras…parabéns mesmo gringa …você transpareceu…apareceu…compareceu…céu estrelado…cortinas abertas…salve salve…Aída!!!!!!!

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