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As Cores da Minha Jornada!

De um vestido verde de aniversário a uma história de talento, força e recomeços

Queridos leitores,

Hoje vou compartilhar um pouco mais da minha jornada na vida de maquiadora! Mais uma vez, gravei um vídeo me maquiando, e o texto abaixo é a narração que o acompanha.

Como todos (ou talvez alguns) sabem, no dia 27 de julho completei mais uma volta ao redor do sol. Naquele dia, eu e o David fomos fazer o nosso passeio mensal — uma ideia dele que eu logo topei —, o que chamo de aventura, mas deixarei essa história para contar por aqui só no ano que vem. O detalhe é que, antes mesmo do dia do meu aniversário, eu estava fazendo compras e vi um lindo vestido verde, bem a cara do verão. Não hesitei e comprei. Ao chegar em casa, pensei: “Já tenho o que vestir no meu aniversário!”.

No dia do video e sempre, sou assim, levando a vida na brincadeira!

Ao me sentar em frente à minha penteadeira, só conseguia pensar no verde daquele vestido. Era um tom um pouco mais discreto que o do ano passado. Com essa inspiração, criei minha maquiagem para combinar não só com o look, mas também com o dia ensolarado que estava por vir! Neste vídeo, repliquei essa maquiagem que refletiu perfeitamente toda a alegria que senti naquele dia!

E agora, vamos a mais um capítulo da minha jornada de maquiadora!

“No capítulo anterior, mencionei que minha vida pessoal não ia bem. Talvez eu tivesse me poupado mais se tivesse entendido logo que meu ex-marido não queria mais estar casado, mas eu continuava tentando salvar o relacionamento.

Logo no início da  faculdade, ele me humilhava por eu ter mais de 30 anos, dizia que eu era a “avó” dos meus colegas. Na verdade, ele não fazia a mínima ideia do que eu era capaz. Ele se considerava a “figura paterna” da filha de uma ex-namorada dele (que já havia falecido). Por causa disso, essa menina foi morar com uma tia, que tinha uma filha.  Eu não frequentava a casa dessa mulher porque não concordava com aquela situação.

Mas um certo dia, quando eu já estava bem envolvida com a pintura de rosto, ele chegou em casa e perguntou se eu toparia fazer pinturas em uma feirinha no colégio da prima dessa menina, para arrecadar fundos. Eu aceitei.

Isso foi depois da Copa do Mundo. Ele só  tinha visto o meu trabalho  uma vez e nunca havia se interessado . No dia da feirinha, lá fomos nós. Eu não estava nervosa nem ansiosa, pois sabia que ia fazer o que adorava. E vou dizer: nunca tinha visto meu ex-marido com “cara de tacho” (risos).

Assim que as crianças começaram a sentar na minha cadeira e pedir os desenhos, ele ficava apenas me observando — não só pelas pinturas em si, mas pela forma como eu conversava e envolvia as crianças para que me deixassem pintá-las. 

No fim do evento, a organizadora perguntou quanto eu cobraria pelo meu tempo. Respondi que não queria dinheiro nenhum, esvaziei meus bolsos e entreguei tudo para a causa, mas isso ficou apenas entre nós duas. No caminho de volta para casa, o “infeliz” admitiu estar admirado por eu saber desenhar. Ele era incapaz de reconhecer que, além de bonita e inteligente, eu também tinha talento. 

Foi assim durante toda a faculdade: além de trabalhar e estudar, eu ainda aturava os abusos dele. Ele nunca ia a nenhum evento acadêmico. Em um determinado ano, fiz uma pintura de corpo para um desfile promovido pela instituição. No ano em que me formei, houve uma exposição na qual os alunos de fotografia retrataram os estudantes destaques de cada curso. E adivinhem? Eu fui a aluna destaque do curso de maquiagem!

Não pensem que conto isso para que tenham pena de mim. Foi o abuso dele que me forjou. Na época eu não via dessa forma, mas, com certeza, quanto mais ele me rebaixava, mais eu provava a mim mesma que a burrice era dele, e não minha.

O curso terminou em junho de 2000. Foi nessa época que ele comentou que estava pensando em ir morar fora de Londres. Na verdade, entendi aquela “ameaça” como uma tentativa velada de me isolar ou de me forçar a pedir a separação. Só que a minha reação  não foi a que ele esperava: respondi com calma que ele poderia ir, pois eu ficaria em Londres. Vendo que a estratégia não funcionou, ele mudou de ideia rapidinho! Acho que tinha medo do meu sucesso, porque sabia que eu nunca tive medo de lutar.

E foi exatamente nessa época que as coisas na maquiagem começaram a esquentar. Lembro que, quando a loja Selfridges reabriu seu Beauty Hall, eles montaram um palco no meio do departamento e cada marca tinha uns três dias para realizar eventos ali em cima. Na vez da Helena Rubinstein, o Phillip — que era o maquiador nacional da marca, e diga-se de passagem, muito “estrelinha” — maquiava no palco principal, enquanto eu e o Lucca maquiávamos na lateral.

Foram três dias muito intensos, de muito trabalho. Toda a diretoria da marca notou que as pessoas ficavam nos assistindo, enquanto o Phillip ficava às moscas.  A partir daquele dia, eu e o Lucca passamos a ser “convocados” para todos os eventos importantes da Helena Rubinstein!

O convite para a London Fashion Week, nos deixou super felizes. A marca estava patrocinando um novo designer, e o desfile aconteceu em uma boate em Carnaby Street. A segunda vez foi no Museu de História Natural, e lá estávamos eu e o Lucca de novo! Fomos convidados para lançamentos de batons com fórmulas revolucionárias para a época, eventos em que só havia jornalistas e a alta cúpula da Helena Rubinstein e da L’Oréal — e nós dois lá! Fomos também ao lançamento do Lexus, um carro de luxo que teve desfile com maquiador famoso e tudo. Eu e o Lucca estávamos lá!

Acho que o evento mais divertido de todos foi “o maior makeover do mundo”, organizado por um programa de TV que queria bater o recorde reunindo uma infinidade de maquiadores, cabeleireiros, estilistas e pessoas para serem transformadas. Nunca fui checar, mas disseram que nossos nomes entraram para o Guinness Book of Records…, será?

E assim foi se passando o tempo. Eu tinha dado o prazo de um ano para o ex tentar salvar o casamento. Passei esse ano inteiro só observando. Então, em janeiro de 2001, eu dei um basta. Arrumei minhas malas, larguei o “encosto” e saí de casa. O Lucca me acolheu e fui morar com ele para começar do zero! Então  vocês entendem por que sempre falo dele com tanto carinho!

No próximo capítulo, conto para vocês como foi encarar e superar de vez essa separação, reestruturar toda a minha vida do zero para encontrar um novo lugar para morar e, claro, continuar firme e forte na minha jornada com a maquiagem.”

Fiquem com a poesia!

Até a Proxima!

Aída

Sou feliz por ter meus pincéis
Continuação de minhas mãos
Companheiras fiéis
Acalmam meu coração

Sou feliz por ter meus pincéis,
Concretização de idéias:
Na minha cabeça coloca pés
E minha imaginação desencadeia.

Sou feliz por ter meus pincéis,
Difusores de cores,
Fazendo sorrir meu coração,
Amenizando as dores.

Feliz por ter cores em minha vida,
Feliz por poder espalhar a beleza,
Feliz por ter visões em realidade,
Feliz por ter meus pincéis!

Aída
05/09/16

8 COMMENTS

    • Oi Rô! Não, aquele é o David que tivems um relacionamento, moramos junto mas não casamos… o ex marido chama-se Brian… desde então cortei todo contato com ele, não sei nem se está vivo.. 😂😘

  1. Oi,Aída
    De novo por aqui!!
    Adorei sua coluna de hoje. As cores da sua jornada são tão especiais, que despertam em quem está por perto, admiração, alegria, atenção, interesse, curiosidade e caro de tacho, kkk. Mostram o seu talento, criatividade e emoção. Como maquiadora você já mostrou que é top, e eu ainda vou mais além, é top das galáxias.
    Guinness book? Vá lá conferir.
    Ah! E pra finalizar, Lucca é sim, seu anjo da guarda. Sempre presente na hora em que você mais precisou! Ele é italiano?
    Até a próxima.

    • Oi Albino! Que bom ver você de volta! Obrigada pelo seu carinho !!! Tenho que conferiri mesmo né? vou pedir ao chat GPT…😂
      Sim, ontem mesmo estava procurando umas coisas no arquivo do Instagram e vi um story quando eu desloquei o ombro e fraturei o braço, ele saiu da casa dele e veio me socorrer, ter certeza que estavam cuidando de mim… e ele é brasileiro, paulista de Itatiba! Na matéria ‘Brilho nos Olhos’eu menciono isso!
      😘

  2. Aída querida você superou tudo,uma exemplo de resiliência…a maquiagem é mais um talento nato seu…seu vestido verde é lindo como sua luz…você trabalhou em lugares importantes e também ajudou pessoas sem cobrar nada…mais uma superação…o casamento, a incompreensão do ex…a falta de atenção à sua capacidade foi um passo para uma nova vida…parabéns por tudo,por mais um ciclo de vida…cores e cores…muita luta, muita força…muito Aída!

    • Obrigada Cris! Achar uma maneira de colocar minha história com a maquiagem aqui tem sido muito importante…. talvez um dia juntar os textos e colocar num livro fisico…. mas o bem mesmo é a maquiagem no vídeo né ? 😘

  3. A força das mulheres muitas vezes nasce das decepções, e você mostrou isso com maestria: transformou os desafios em aprendizado e demonstrou, com seu talento, coragem e capacidade de superação, a mulher forte que é!

    • Obrigada Dione! Você me emociona com seus comentários , porém a gente é forte quando precisa ser, não temos escolha, e às vezes se forte cansa um pouco… queria ser forte pra ‘aguentar’ alguém cuidando de mim e me dando dengo… 🤣

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