sábado, abril 18, 2026
No menu items!
HomePoeta Visual no NCConfraternizando na Tate Britain...

Confraternizando na Tate Britain…

Queridos Leitores,

Sem muitas delongas vou direto ao assunto! Chegou a temporada das confraternizações e como eu só confraternizo com uma pessoa, normalmente porque outras pessoas que gostaria de fazer o mesmo não moram em Londres e fica mais difícil de nos encontrar, eu vou falar dessa confra com David, que sempre topa ser espontâneo, e que nunca nossos planos acontecem como planejamos e no final tudo que a gente faz enche nosso coração de felicidade!

No ponto do ônibus!
A escada que parece degrau de almofada…

Foi na quarta-feira, dia 27 de Novembro, aniversário de partida de mamãe e como escreveu minha amiga Simone Lins: “Grave o dia 27/11, como a data de Nossa Sra que amava muito sua mãezinha e a levou no dia Dela”, e nesse dia esse pensamento esteve comigo o dia inteiro! Como é bom ter amigos que nos dão outra perspectiva de uma coisa tão dolorida e torna isso em doçura! Queria eu ser capaz de fazer isso por alguém!

David admirando algo e eu começando a fotografar… Escultura por Barbara Hepworth
Francis Bacon, Três estudos de figuras na base de uma crucificação

Não vou dizer que não chorei, sou chorona assumida e sentir saudade de mamãe me faz chorar sim! Levantei cedo, fiz yoga, tomei banho, me aprontei, tomei café e fui pra missa para estar mais perto dela, pois sei que ela está com Deus! Voltei pra casa pois íamos  nos encontrar às 13 horas, então tinha tempo de dar uma descansada fazer uma maquiagem para disfarçar os olhos inchados de choro, porém David me ligou e mudamos para às 14 horas, pois  teve um atraso numa reunião que tinha antes de encontrar comigo. Ele sempre que vem se encontrar comigo aqui, marca umas reuniões para aproveitar a vinda à Londres pois mora perto de Cambridge.

J.M.W. Turner. Chegada de Louis Philippe no Royal Clarence Yard. Observem que a pintura é construída a partir da luz… com neblina e nada em foco…
Sol Nascendo num Castelo numa Baía: Solitude. J.M.W. Turner
Dois Navios Dinamarqueses Capturados entrando no Porto de Portsmouth por J.M.W. Turner. Nesse quadro dá para ver o movimento da água, coisa que ele aprendeu se amarrando no mastro da vela de um navio durante uma tempestade… a luz é sempre seu foco!

Nos encontramos na estação de King’s Cross e de lá fomos direto passear numa linda galeria de arte moderna chamada Tate Britain. Vou dizer, faziam uns 30 anos que eu tinha ido lá e ele também. Foi com muita satisfação que vimos que fizeram umas reformas físicas  no interior desse lindo prédio que fica numa área chamada de Pimlico, na cidade de Westminster, que é onde tem o Big Ben, as casas do Parlamento, o Palácio de Buckingham e muitos outros pontos turísticos daqui! Achei que escolhemos o lugar certo para nossa confraternização, pois além de ser um lugar lindíssimo, com um acervo de enlouquecer aos amantes das artes, foi um lugar ideal para viver um dia que seria só de tristeza e saudade para mim, mas que estando num lugar onde provavelmente se ela tivesse conhecido ficaria muito feliz de estar ali!

Hampstead Heath com um Arco-íris por John Constable
A palheta de John Constable. Sua técnica para criar texturas e dar mais vivacidade na cores era misturar óleo de semente de papoula nas tintas pois assim o tempo de secagem era maior dando tempo a ele para criar as texturas e mudar os tons

A minha expectativa era de ver o acervo de Edgar Degas que essa galeria tem, pois como bailarina, seus quadros e a escultura da bailarina de 14 anos sempre me encantaram! Porém não vimos nada dele… rsrs… a galeria é enorme. O lugar é realmente inspirador… da primeira vez que fui, a Tate Modern nem existia e vi muita coisa de Salvador Dali que hoje moram na Tate Modern, afinal Dali é contemporâneo!

Uma das muitas salas da Tate Britain
Atleta lutando contra uma cobra. Frederick Leighton
Um cavalete de vários, para os inspirados… eu brinquei com a luz, tirando o fundo do foco!

Tenho notado que quando estou em lugares aquecidos, ou na rua vestida com muitas camadas, e ontem apesar do ter tido temperaturas amenas o vento estava com a sensação térmica de -1 C… ou menos… brrrrr, meus dedos das mãos incham, ficam vermelhos  e a mão  super-quente, lembrando os dedos do Rei!

Pedaço de Átomo, por Henry Moore

Cheguei cheia de energia, e como um celular sentia minha energia se esvaindo de mim, já tinha tirado o cachecol, o gorro, o casaco de cima da blusa e só fiquei com o ‘sobretudo’ aberto, pois não tinha energia para carregar… Eu nunca tinha percebido tão obviamente a minha energia indo embora, e no começo entrava nas salas admirava os quadros, lia sobre os que mais gostava, depois comecei a me sentar, nessas galerias existem bancos no meio das salas para as pessoas ficarem observando os quadros, ou até  mesmo desenhando… David continuava admirando tudo, com toda energia, e o pior é que ele não sabe andar devagar (lembro que eu e o filho dele ficávamos para trás observando quando ele notaria que estava sozinho…rsrs) então aproveitava para me sentar até que ele fosse mudar de sala. Depois de ver muita coisa, menos Degas, ele me chamou para tomarmos um chazinho e decidir onde íamos jantar.

As peças de Henry Moore fazem você querer tocá-las
De longe já reconheci Henry Moore… suas esculturas são muito popular

Quando estávamos no trem comentei o que andava acontecendo com meus dedos e ele não estava entendendo e foi ali na mesa do café que mostrei pra ele meus dedos… rimos demais, mas sim, dentro da galeria a temperatura é sempre a mesma para não estragar as obras de arte. Não digo que seja temperatura tão quente que seja desagradável, mas quando você está vestido de camadas, por causa do frio lá fora, a pessoa fica esbaforida. Então eu disse pra ele que estava querendo tirar a roupa toda, e ele disse: “acredito que numa galeria de arte moderna não teria o menor problema em você fazer isso e ser intitulada ‘a dama com dois corações’“ pois eu tinha mostrado pra ele a minha tentativa de fazer um auto retrato mostrando a cicatriz do meu peito de onde tiraram o caroço ‘maldito’ e que quando eu levanto o braço forma um coração invertido… mas isso é assunto para o futuro!

Hylas surpreendido pela ninfas de água doce, de rios, lagos, fontes e riacho, as Náiades, por John Gibson
Meio Irmão (Saída para lugar nenhum – Maquiavélico) por Mark Wallinger

Ali sentados na mesa do café decidimos ir pro centro do ‘buchicho’ para irmos num restaurante chinês que vi no Instagram, porém  ao procurar por ele na internet, descobrimos que um restaurante chinês que ele tinha me mostrado e que a gente adorava, continuava lá. Então pegamos o metrô e lá vamos nós. Por alguma razão nós achamos que ele tinha fechado depois da pandemia. Ao chegarmos lá, o apressadinho foi entrando e como eu fiquei para trás achei que a entrada não era ali. Eu não conseguia reconhecer nada, e ele descartando a minha desconfiança. Ele pediu um chá e eu uma taça de vinho. Ele tentou falar com uma garçonete que fazia mais de 30 anos que ele frequentava esse restaurante, mas a chinesa não entendia nada que ele falava, e eu tinha que traduzir para ela… rsrs, falando em inglês mais lento sem sotaque de Manchester! Então quando começamos a olhar o menu, os preços estavam muito altos e ele notou que o nome do restaurante no cardápio era diferente, ai o maluco disse, pois é o Wong Kei não existe mais, ai eu disse que a gente estava no restaurante errado, que o Wong Kei era o restaurante vizinho, e mandei ele ir olhar!

Ele voltou todo serelepe e feliz dizendo, vamos pra lá. Chamamos a garçonete e pedimos para pagar o vinho e o chá e ele ficou explicando pra chinesa que fizemos um erro… blá blá blá… e dessa vez eu fui na frente para ele não entrar no lugar errado de novo…. Rsrs

Sucessão de portais!
Casa de Molly, por Pablo Bronstein

Parecíamos duas crianças num parque de diversão. Assim que sentamos na mesa veio a chinesa com um bule de chá verde (ps: o chá verde é grátis e sem limite), essa é a marca registrada deles, e nós pedimos comida pra dedéu… felizes da vida por saber que o melhor restaurante chinês de Londres ainda existia! Eles nunca aceitaram cartão, ‘only cash’, e continuam assim, mas a conta ficou por menos de £65 para os dois o que no centro turístico de Londres é quase de graça!

Sopa de entrada…
E os pratos vazios na saída…

E assim foi a nossa confraternização de 2024! Um dia de muita saudade para mim, e que transformamos num dia leve, cheio de beleza e felicidade. Tomei a decisão certa de sair com ele nesse dia, e que a minha felicidade foi a melhor homenagem que prestei à minha mãe!

Eu e David na saída do Wong Kei

Fiquem com as fotos desse dia, um pequeno video mostrando a grandiosidade da Tate Britain e o poema da saudade!

Até a Próxima!

Aída

Tesouros herdados: a caixa de acrílico o marcador de metal que é a bailarina de 14 anos de Degas e as rosas secas do buquê da missa.

Como traduzir saudade?
Um sentimento sem explicação,
Não é só afetividade,
É também um vazio no coração!

Saudade é a falta do abraço,
Saudade é a falta de conversar,
Saudade é perder o espaço,
Saudade é a falta de escutar…

A voz da esperança,
Que fica em nossa imaginação,
Saudade é a melhor lembrança,
Do amor no coração!

Aída
27/11/24

Para minha mãezinha!

  1. É sempre muito bacana viajar nas suas fotos. Por isso, faço a sugestão de uma matéria com fotos de lugares pitorescos de Londres. Retratando lugares que não são tão turísticos. Para que a gente tenha a sensação que é local de Londres!

    • Querido Mr. Silva, como sempre fico muito feliz quando você comenta por aqui!
      Adorei sua sugestão e vou tentar fazer isso… talvez com os parques locais, pois em todo bairro tem um parque , ou dois ou três… Londres é a cidade mais arborizada do mundo, e lugar pitoresco é o que não falta! Obrigada pelo carinho e pela sugestão! Volte sempre! 😘

  2. Aída, bom dia!!!!! Essa perspectiva de ver a vida como um copo meio cheio para mim é o ideal. Assim, conseguimos dar equilíbrio a tudo. Parabéns!!!!!!! “nunca nossos planos acontecem como planejamos e no final tudo que a gente faz enche nosso coração de felicidade”! Um dia de muita saudade pra você foi transformado num dia leve, cheio de beleza e felicidade.
    Você não deixou de sentir saudade, chorou, mas também sorriu e assim sua mãe foi homenageada. Obrigada pela lição , bem como pelo momento cheio de cultura e alegria🥰🌷😘

    • Querida Denilma, às vezes me pergunto porque meu relacionamento com David não deu certo… mas ao mesmo tempo adoro que nosso amor virou em amor de amigos e sim, ele adora minhas ideias e ainda bota pilha… além do fato de adorarmos arte!
      Acho que estar na companhia dele nesse dia me fez sentir segura, porque ele me conhece, sabe que sou chorona e também entende o que acontece com minha energia! Foi ele quem não me deixou enlouquecer quando Ricardo se foi e isso eu vou sempre ter essa gratidão que tenho por ele! 😘

  3. Saudades tbm de sua mãezinha, da minha e dos tempos de convivência de nossas famílias 💖. Amei as fotografias das obras de arte e curti bastante os momentos de confraternização com seu amigo 🙌🏻!!…

    • Ô Cilinha, é uma saudade sem fim, mas uma saudade que me faz feliz de ter tudo o privilégio de ser filha dela e usufruir de todos os momentos vividos! David é o ex muito querido, hoje um irmão que me ajuda e cuida de mim! Volte sempre! 😘

  4. Minha amiga, me emocionei ao ler meu nome no seu escrito e fiquei feliz por ter sido o anjinho que deu um alívio no seu dia de tamanha saudade, disse e repito, sua mãezinha é uma pessoa mto importante aos olhos de Deus, portanto, nossa mãezinha santissima veio buscá-la em um dia tão especial, como o 27/11, dia dedicado a NSra das Graças, da medalha milagrosa. Vc é uma guerreira, uma pessoa que sabe converter o limão em uma limonada, que ressignifica as coisas e transforma dores em experiências de crescimento, por isso, lhe admiro cada dia mais. Que Deus continue sendo sua luz, sua força e se permita a chorar e ter seus momentos em silêncio e de saudade, mas, guarde sempre em mente as belas recordações que sua mãezinha e seu paizinho deixaram em sua vida.
    Bjo com mto carinho!
    Simone Lins ❤️🙏🌹🥰

    • Aída, belas obras de arte!Como sempre ,você nos surpreendendo. Sem deixar de falar na lembrança triste e de tanta saudade da sua mãezinha que se foi.Com certeza, está num bom lugar ao lado de Nossa Senhora.

  5. Aída, você não deixou nenhuma dúvida que o dia 27/11 será relembrado por dois motivos: aniversário da morte de sua mãe e pela presença de um anjinho da guarda chamada Simone que mostrou a você como transformar algo dolorido em mais leve. Que bom que mais uma vez você e David fizeram uma confraternização e nos brindaram com fotos da Tate Britain.
    Adorei o poema como traduzir a saudade?.
    Deixo uma musiquinha do Agnaldo Timóteo sobre mãe. Lembra? Aguenta coração.
    https://youtu.be/woudFlaU890?si=SuTxVSXYmy9KBaXg

    • Eita Albino, essa música era da geração de meus pais? Rsrs
      Que sorte a minha em ter a Simone para me deixar leve e mais ainda por ter vocês aqui comigo vivendo esses momentos! Obrigada 🙏🏼 mais uma vez! 😘

  6. Aída que dia maravilhoso…um misto de saudade e confraternização…lembrar de sua querida mãe desta forma foi a melhor idéia vinda do seu coração
    e com certeza a leveza de que ela estaria feliz por você…sim a vida explícita em obras de arte supera a diferença de temperatura do museu e lá fora…afinal tudo é sombra e luz …uma antítese do quente e frio nas artes plásticas…confraternizar…eternizar…a sua poesia rasgou minha alma…linda de viver…AVE MARIA!

    • Obrigada Cris por seu carinho! Ela sempre falava dos museus e galerias que viu pelo mundo afora e tenho certeza que iria amar …
      Ontem mandei o link em inglês para David e notei que na segunda estrofe a palavra saudade não é traduzida . Bem isso!
      Volte sempre ! 😘

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS VISTOS

Como uma Folha no Outono

Como uma Folha no Outono

O Amém do Anjos

Melting the Ice Cream!

ARTIGOS RELACIONADOS