Queridos leitores,
Depois de uma semana bem diferente, resolvi falar de uma saudade diferente…

No sábado passado, fui a uma festa de aniversário: os 60 anos da minha professora de dança aqui em Londres! A festa foi muito legal, com um monte de gente das aulas de dança e de pilates (ela também ensina pilates), e aproveitei a oportunidade para trazer de volta a “Aída” vaidosa, com aquele estilo só “dela” e que me deu muita saudade!


Vocês devem estar pensando que eu pirei, ou que andei tendo aulas de conversação com a nobreza inglesa, que se refere a si mesma na terceira pessoa… rsrs


Esta primavera tem sido muito louca e, enquanto esperamos que o tempo melhore e as temperaturas subam, estamos sendo enganados. Apesar do sol e do céu azul, o vento é de gelar os ossos. Eu fiquei na dúvida do que vestir; estava frio demais para um vestido de verão, então abri meu guarda-roupa “preto”! Nesse guarda-roupa eu só tenho roupas pretas, que eram as roupas com as quais eu trabalhava na loja ou quando fazia algum freelance. Uma maquiadora tem que usar cores no rosto; o preto é prático, neutro e, de certa maneira, distingue quem trabalha de quem está ali como cliente.


Então, resolvi que iria com um vestido preto que tenho; é um vestido de tule preto, com um basiquinho por baixo. Coloquei uma meia-arrastão que tem uns corações. A maquiagem foi bem simples, mas com um delineador que alonga meus olhos de “jipe”. Dei uma esculpida no meu rosto e coloquei um batom vermelho. Para completar o visual, usei um brinco em formato de coração vermelho e, como perdi o par, na outra orelha coloquei um solitário de vidro! No pescoço, coloquei uma gargantilha estilo anos 60, com um pingente de coração que parece o da Rose do Titanic, e coloquei também um pingente igual ao do brinco. Usei minha bolsa vermelha em forma de coração e meu sapato boneca de plataforma, e lá fui eu de carona com minha colega da classe de dança.


Já estou acostumada com as pessoas olhando para o meu cabelo, mas foram interessantes os olhares que recebi na festa. Acredito que todos nós estávamos muito diferentes do que parecemos na academia — o que é normal. Porém, ao examinar como as outras pessoas estavam vestidas e como eu estava vestida, notei uma coisa: eu tenho uma peculiaridade que difere de tudo. Eu não tenho senso de moda, não sigo um padrão — quer seja por ter cabelos coloridos ou por usar muitas bijuterias, como a Miss Paripueira —, e não, eu não me sinto deslocada; sinto-me no meu elemento, na minha essência, e me produzo para espelhar o que vem de dentro!


Sim, no sábado, ao me produzir para ir a essa festa, senti falta de ser maquiadora, de interpretar o rosto das pessoas para torná-las o melhor que pudessem ser, acreditando que a sua essência era exatamente aquilo que eu estava projetando. E, ao final, quando elas sorriam, eu tinha a certeza de que não só havia capturado a beleza delas, mas também a sua essência na forma mais pura e bela!

Muitas vezes, eu terminava a maquiagem de alguém e, apesar de a pessoa ter gostado, eu, pessoalmente, não sentia que tinha feito um bom trabalho. Mas elas não percebiam, pois gostavam da minha “criação”. Era como se o meu santo não tivesse batido com o delas e eu só pudesse colocar uma máscara, pois elas não tinham essência para me mostrar!

Ser maquiadora foi a maneira que eu achei de continuar, de certa forma, nos palcos. Não existe nada melhor do que os camarins do teatro antes de o espetáculo começar. Vestidas com as fantasias que imaginávamos por meses, a maquiagem, as luzes da ribalta… A cortina abrindo, a música começando a tocar e aquela adrenalina pulsando… Estar no meio das produções de um casamento, criar um personagem, fazer uma maquiagem criada por outro para integrar o desfile de uma coleção, ou até mesmo fazer a maquiagem de alguém na loja para ir a um jantar romântico: tudo isso me faz sentir nos palcos novamente! E foi essa saudade que senti…

Fiquem com as fotos, um ‘causo’ e a poesia!
Até a próxima!
Aída
E por falar em essência e em ser maquiadora, deixo vocês com este ‘causo’ de 2015. É a prova de que eu sempre gostei de ‘pegar o dinheiro’ das clientes com um sorriso no rosto!
Divagações: 9 de novembro de 2015
Ontem, domingo, 8 de novembro de 2015, foi um dia bem estranho, mas um estranho bom…
Eu estava trabalhando e duas moças queriam uma base. Na verdade, a princípio, apenas a primeira queria, então pedi que ela se sentasse. Depois de ouvir o que ela buscava, peguei os produtos e comecei. A amiga, que assistia a tudo, disse que também queria — feito criança quando diz: ‘Eu quero tudo o que ela quer!’.
Terminei com a primeira e a segunda sentou na cadeira, enquanto a outra pensava no que levar. Quando finalizei, ofereci-me para anotar tudo o que usei, caso não fossem levar tudo na hora. A segunda disse: ‘Além de boa maquiadora, ela é boa vendedora’. Eu ri e pisquei o olho: ‘Sou apenas maquiadora!’.
Aí contei que também era escritora. Elas ficaram curiosas sobre o meu livro, contei minha inspiração e até alguns trechos. Elas ficaram tão entretidas que choraram e riram; contei minhas aventuras ou, como dizemos no Nordeste, meus ‘causos’. No final, levaram um monte de coisas!
Antes de irem, disseram: ‘Você é uma boa maquiadora, vendedora, escritora e contadora de histórias, mas, principalmente, uma pessoa maravilhosa para se ter por perto!’. Fiquei feliz em ver que não são só meus pincéis que me definem, mas meus escritos, meus causos, minha câmera e essa mania de fazer piada de tudo. Como eu disse para elas: ‘Agora que fiz vocês chorarem, vou pegar o seu dinheiro!’. E elas riram… São esses momentos que me fazem feliz!

Sou feliz por ter meus pincéis,
Continuação de minhas mãos;
Companheiros fiéis’
Acalmam meu coração.
Sou feliz por ter meus pincéis,
Concretização de ideias.
Na minha cabeça coloca pés
E minha imaginação desencadeia.
Sou feliz por ter meus pincéis,
Difusores de cores,
Fazendo sorrir meu coração,
Amenizando as dores.
Feliz por ter cores em minha vida,
Feliz por poder espalhar a beleza,
Feliz por tornar visões em realidade…
Feliz por ter meus pincéis!
Aída
05/09/16




Uau!! Que legal, Aída
Retornou com tudo. Mostrando toda sua arte. Mostrando tudo que você é e faz com a leveza e a criatividade de sempre. Adorei o causo. Faz chorar e rir depois que pega o dinheiro. E por falar em cabelo colorido, essa música combina com você, não combina?
https://youtu.be/X2tb8YVfOqI?si=pzkmIlRdvFLLbdby
Querido Albino,
Me aprontar para essa festa foi como eu momento ‘eureka’… rsrs sem saber o que vestir, numa festa onde todos que conhecia só os vejo com roupas de academia… então resolvi ser eu, do meu jeito ‘esquisito’ de ser … sempre dar certo né? Essa música é bem legal e sim combina comigo! Brigada Albino!😘
Concordo plenamente com elas! Você é tudo isso e muito mais. E, além de todo esse talento, é um privilégio enorme ter você como amiga, Aída. Sua leveza, seu humor e esse jeito único de encantar as pessoas fazem toda diferença!
Querida Ana Flávia, obrigada por suas palavras de carinho… Às vezes acho que não me esforço para encantar ninguém, porém sendo eu mesma é o meu melhor que posso fazer… do mesmo jeito que me encanto por outras pessoas como me encantei por você ! Estou adorando sua interação ! 😘
Aída das cores,pinceladas com toques de sombra e luz,leveza e responsabilidade espontânea num universo mágico que independe de espaços institucionalizados…praças, bastidores,faces transformadas…o pincel certeiro num borrão de nuances…parabéns pela coragem linda bailarina da cor do salto arco-íris…você é mestra da leveza das mãos, daí desenhar tão bem,pintar quadros e na gargalhada da vida sorrir sutilmente, a antítese da certeza onde a cor tá na beleza de enxergar a vida , sua vida VALE …LEVA UM TOM A MAIS!!!!
Obrigada Cris! Essa minha nova plataforma está me fazendo ir bem fundo em tudo….😘