Queridos leitores,
Hoje decidi fazer uma coisa bem diferente e experimental!
Toda semana eu penso: como posso falar de maquiagem? É um assunto que eu adoro, do qual tenho total domínio, mas, para os homens, talvez seja algo que não interesse tanto.
Então, para desmistificar a maquiagem, resolvi fazer um vídeo me maquiando, e no texto a seguir eu explico o que ela significa para mim.
“Muitos e muitos anos atrás, eu me vi em um momento da vida onde precisei começar a pensar no que me traria felicidade e, ao mesmo tempo, fosse uma fonte de renda. Deixem-me explicar melhor: eu era subgerente de um bar que estava prestes a fechar. Era final de ano e fiquei em pânico com a perspectiva de ficar desempregada bem naquele momento.
Fui a uma agência de empregos para conseguir um trabalho temporário e me colocaram em uma loja de departamentos na Oxford Street, no setor de lingerie — mais especificamente no balcão de meias finas, meias-calças e suspensórios, daqueles que a gente costuma ver no cinema antigo.
No fundo, eu já sabia que queria me envolver com maquiagem. Sempre fui apaixonada por esse mundo e seria uma maneira de voltar ‘aos bastidores’. Na época em que eu dançava ballet, uma das coisas que eu mais gostava, depois de dançar, era a produção antes de entrar no palco. A maquiagem e o cabelo tinham que estar impecáveis! Como eu não dançava mais, decidi estudar maquiagem para trabalhar com isso. Queria ser parte da produção!
Sempre que podia, eu passeava pela perfumaria da loja e ficava namorando os cosméticos famosos, como Chanel, Christian Dior e YSL. Um dia, enquanto estava no meu departamento, escuto uma voz: ‘Um passarinho me contou que tem brasileira por aqui!’. Foi assim que conheci o Lucca! Ele trabalhava para a YSL e era consultor de beleza. Eu adorava, porque toda vez que ele estava na loja, nós almoçávamos juntos e dávamos muitas risadas.
O tempo passou e eu continuava a pesquisar faculdades de maquiagem e como ingressar nelas. Não queria um emprego permanente, pois meus planos eram conciliar os estudos com o trabalho, então esses contratos de agência eram perfeitos. Lembro que, tempos depois, eu estava trabalhando na perfumaria geral de uma filial dessa mesma loja e me mandaram fazer uma atualização justamente na unidade onde conheci o Lucca. Quando eu estava voltando do almoço, cruzei com ele, que me contou que estava saindo da YSL e indo para a Helena Rubinstein na Selfridges. Eu dividi com ele que estava ali fazendo um treinamento e que já tinha entrado na faculdade.
Pouco depois, mudei de agência e passei a ser enviada para a Selfridges — na época, a maior loja de cosméticos da Europa. Eles me mandavam para diferentes marcas: um dia na Versace, outro na Borghese… E comecei a ser requisitada pelas marcas por ser boa vendedora. Eu sempre dava uma escapada para ver o Lucca no balcão da Helena Rubinstein, mas saía rapidinho porque a gerente dele me olhava atravessado… [risos] Eu tinha medo dela!
Durante a Copa de 98, comecei a fazer pintura de rosto em um bar e ganhei muito dinheiro. Inventei o ‘tigre brasileiro’; eu me divertia e faturava. Depois da Copa, com a reforma de uma parte da Selfridges prestes a terminar, o Lucca veio me oferecer uma vaga de final de semana na Helena Rubinstein, e eu topei. Aquela gerente de quem eu tinha medo, junto com o Lucca, viraram meus grandes mentores.
Eu arrasava nas maquiagens! Aprendi a fazer todos os relatórios que a gerente precisava enviar na segunda-feira. Sempre que havia eventos com maquiadores internacionais, minha gerente escalava a mim e ao Lucca. Nessa onda, fomos maquiar até na London Fashion Week! Aprendi demais trabalhando ali. Eu conciliava as aulas na faculdade com os treinos na Helena Rubinstein e mergulhava na história da maquiagem. Afinal, eu trabalhava para uma empresa cuja fundadora foi um dos maiores ícones desse setor, junto com Estée Lauder e Elizabeth Arden! Eu e o Lucca sempre cantávamos um versinho da música da Rita Lee, Fonte da Juventude, que diz: ‘Se os olhos da Elizabeth Arden, meu bem, o que a Helena Rubinstein com isso?’
Apesar de a minha vida pessoal não andar bem na época, eu não me deixava abater pelas maldades do meu ex-marido. Entre o trabalho, a faculdade e os eventos, eu estava sempre feliz!
Porém, foi durante uma visita a Miami, já separada e naquele movimento de me reinventar, que a chave virou. Conversando com a Núbia — que sempre me perguntava sobre maquiagem, como fazer isso ou aquilo —, eu respondia com toda a alegria do mundo. Foi ali que reconheci que, quando a gente faz as coisas com amor, elas deixam de ser uma obrigação e viram um prazer. Em uma dessas minhas explicações empolgadas, ela me interrompeu e disse: ‘Quando você fala de maquiagem, eu vejo um brilho nos seus olhos!’
Por muito tempo, acho que perdi esse brilho. Não porque deixei de amar a maquiagem — afinal, tenho esse brilho com tudo o que amo, como meus escritos, minhas poesias e fotografias —, mas porque descobri o câncer e, por um período, pensei que não teria a oportunidade de ter esse vislumbre de volta.
Hoje, com os Escritos Independentes e tudo mais que faço, tenho a certeza absoluta de que o brilho nos meus olhos voltou!”
E essa é só uma parte da longa estrada que me trouxe até aqui. Ainda tem as memórias dos camarins da Fashion Week, os desafios da faculdade e os bastidores de tantas outras transformações. Mas essas histórias… eu deixo para os próximos capítulos.
Até a próxima!”
Aída

Carinho a gente revida,
Com beleza e cores,
E também cuida,
Do amor, doadores!
Amigo é o infinito,
Que se doa sem limite,
Amor intuitivo,
Tudo que o coração permite!
É do medo proteção,
E é incondicional,
É contida emoção,
É verdadeiro em seu potencial!
Aída
03/08/22




Aída, que feliz coincidência. Depois de uma pausa voltei pra ler sua coluna descrevendo de uma forma simples e descontraída o brilho nos olhos de uma pessoa, que não tem como não percebermos, quando essa pessoa faz algo que ama fazer. Quem faz o que gosta, faz bem feito.
É muito bom ler o que você escreve. Melhor ainda ver suas fotos caprichadas e cheias de detalhes. Mais ainda curtir os vídeos. Sem esquecer do poder da criação das poesias. É isso. Por hoje é só. Não conhecia a música da Rita Lee que você comentou. Então inclui o link dela.
https://youtu.be/bftFvR03aE0?si=Q0mIoinCNG7Cxl9o
Querido Albino,
Estava me perguntando se você tinha desistido de ser meu comentador mais assíduo… rsrs…
Sempre pensava como incluir maquiagem nesse meu mundo de letras…e acho que achei! Agora ser também narradora!
Quanto a música ela estourou com as frenéticas, mas é da Rita Lee! Ela gostava de falar de mulheres ícones de tempos antes dela… aquela música ‘Dançar pra não dançar é sobre outra icônica mulher Isadora Duncan, de quem sou muito fã também!
Seja bem vindo de volta! 😘
Aída querida sua trajetória vital é delineada de lutas,assiduidade e conquistas. Persistência e coragem são características presentes nos contornos dos seus olhos que enxergam o amor no que faz,sim no que faz!!!!!! Narrativa maravilhosa, voz que leva à icônica mulher que se mostrou de frente para o mundo…Aída ao som da Rita Lee, vendendo sonhos em rostos…entre marcas importantes,departamentos…você se encontra pronta…na prateleira real é você a amostra viva de que a felicidade vem em nuances…esperança, força e fé…escritos independentes revelam tudo…a fotografia do seu sorriso…cada clarão é todo dia!!!!
Obrigada Cris! Como sempre seus comentários cheios de poesia! … e que me deixam sem palavras, logo eu… rsrs obrigada mesmo por seu apoio incondicional! 😘