domingo, junho 21, 2026
No menu items!
HomePoeta VisualPintando o Sete nas Copas do Mundo!

Pintando o Sete nas Copas do Mundo!

Três décadas de memórias, pubs e pincéis direto da Inglaterra.

Queridos leitores,

Depois de ver as manifestações dos torcedores do Brasil espalhados pelo mundo, resolvi contar como vivo esses eventos aqui, longe de “casa”, desde 1994. Apesar de não ter nenhuma afinidade com o futebol, o meu time principal sempre será o Brasil. A Inglaterra até virou minha segunda seleção, mas, na maioria das vezes, eles são eliminados antes da gente. Na verdade, nunca os vi chegarem a uma final!

Foto de 98, no Bar Madrid, onde teve uma festa brasileira e Karina Padilha (na foto é a da direita) me convidou para fazer pintura por lá ! Na frente o ‘tigre brasileiro’…
Em 2006 no Guanabara

Em 1994, eu trabalhava em um bar de donos italianos, com uma equipe bem multicultural — incluindo uma sueca e um gerente inglês que não ligava para o esporte. Naquela época, eu dividia a casa com meu ex-marido (que torcia contra o Brasil!) e dois estudantes que estavam hospedados conosco. Entre o trabalho e a rotina, não consegui ir a muitos jogos, mas fiz questão de assistir à final com os meus hóspedes no local onde os brasileiros estavam se reunindo. De lá, fomos todos juntos para a Trafalgar Square. Foi inesquecível: estávamos felizes, comemorando muito e até tiramos fotos com os policiais londrinos. Ter a companhia dos hóspedes foi um alívio, pois me sentia segura caso meu ex decidisse ser desagradável.

OS torcedores pediam e eu fazia!
Eu me pintava para fazer propaganda!rsrs

Em 1998, a situação já era diferente. Eu não trabalhava mais no bar e estava cursando uma disciplina de Face Painting na faculdade. Resolvi voltar ao mesmo pub de quatro anos antes e fiz uma proposta ao gerente: se ele me cedesse uma mesa em um ponto cego (de onde não se via nenhum telão), eu faria pintura de rosto nos torcedores e, no final da noite, daria 10% dos lucros ao bar. Ele não levou muita fé, mas topou. Meu ex, para variar, tentou de todas as formas me fazer desistir. Disse que eu passaria vergonha, que ninguém pagaria pela pintura e que eu ainda causaria brigas.

O apoio de David na hora tensa do jogo!
Verdadeiro coração verde e amarelo!

Como ele estava errado! No fim do primeiro jogo do Brasil, fui ao escritório do gerente e comecei a esvaziar os bolsos para contarmos o dinheiro. Antes que eu terminasse, ele me parou e disse: “Não quero o seu dinheiro, só quero que você volte no próximo jogo!”. Saí de lá radiante. Não lembro se o Brasil ganhou aquela partida, mas sei que fiz uma ótima grana e bebi de graça a noite toda — o pessoal simplesmente não deixava o meu pint esvaziar.

No dia do jogo da Inglaterra David foi à caráter ….
… pois foi à caráter no jogo do Brasil também !

No jogo seguinte, convidei meu ex e, para a minha surpresa, ele resolveu aparecer mais tarde. Pedi ao gerente para deixar o nome dele na porta e, quando ele chegou, o bar já estava lotado. Eu tinha uma fila imensa de pessoas esperando, já estava com o meu pint pago pelos torcedores e pintando até bandeiras de países que nem estavam na Copa! Ele ficou completamente deslocado e, assim que o jogo acabou, foi embora. Eu fiquei, pois ainda estava literalmente “pintando o sete”. Meu único medo era voltar para casa e ter que lidar com uma briga, já que a coisa que ele mais detestava era me ver feliz. Infelizmente, fui casada com uma pessoa extremamente tóxica. No último jogo daquela Copa, quando o Brasil perdeu, cheguei a pensar em trocar de roupa (tinha levado uma blusa azul na bolsa) para continuar trabalhando, mas confesso que o clima não deixou.

Sempre tentando novos desehos em novos lugares!
Na minha mesa de trabalho!

Na Copa de 2002, eu apenas acompanhava os resultados de longe. Só fui me envolver de fato na reta final, quando estava em Miami (como contei na crônica “Flamingos e Voos Perdidos”). Já em 2006, eu havia acabado de me mudar para St. Albans para morar com o David. Tentei repetir o sucesso da pintura de rosto em um bar chamado Guanabara; foi bom, mas nada como em 98. A melhor parte daquela Copa foi ter a companhia do David, que adorava ir aos jogos comigo — e, nas partidas da Inglaterra, eu retribuía fazendo companhia a ele.

Fui modelo para meu próprio cartaz!
David e Jackie (ela hoje mora em Lisboa) na comemoração da vitória ! Nessa hora eu so estava me divertindo…

Na Copa de 2010, continuei tentando e fui fazer pintura de rosto em um bar em Camden, mas foi um fracasso. Então, voltei para o Guanabara, que tinha uma clientela mais misturada. Já em 2014, eu trabalhava para a MAC e realmente não dava para fazer pintura. Lembro que fui me encontrar com a Liliana e o Klaus (marido dela na época) ali perto de onde eu trabalhava; assisti ao primeiro tempo do jogo com eles e o segundo tempo foi no trem, voltando para St. Albans. As lembranças mais marcantes daquele ano foram a falta que quase quebrou a coluna do Neymar e, claro, o fatídico e inesquecível 7×1 que o Brasil levou da Alemanha na semifinal.

Torcedoras!
E mais outra torcedora linda!
Mais uma foto para o cartaz!

Depois desse fiasco, desliguei-me completamente do torneio. Não me recordo de quase nada da Copa de 2018. Já a de 2022, preferiria esquecer: eu estava muito debilitada pelo tratamento de câncer e profundamente abalada com o ambiente e a falta de apoio no meu trabalho na MAC, o que sugou muito da minha energia vital na época.

Eu e a Jackie no Guanabara em 2010 e à direita em 2006! Mesma camisa eu sei… rsrs
Em 2010 tinha site de fotos….

Como podem ver, futebol realmente não é a minha praia; o que eu gosto mesmo é da festa da nossa torcida. O brasileiro é, sem dúvida, um povo alegre e cheio de vida. Curiosamente, em quase todas essas Copas que passei por aqui, percebo que eu estava sempre enfrentando alguma “competição” pessoal em paralelo.

Em 2006 também ….
Me sentindo uma colunável …

Mas este ano é diferente. Não estou competindo com mais nada nem ninguém, graças a todas as superações que conquistei. Agora, quem quiser entrar no meu jogo, tem que jogar comigo, e não contra mim. E o melhor: nas minhas regras, a gente só tem a ganhar — com muita poesia, belas fotografias e novas aventuras!

Em 2014, com Liliana e Klaus, depois do trabalho!
Em 2014 eu torcia através de minhas unhas!

E para não dizer que não estou na torcida: Vai Brasil! Rumo ao Hexa!

Deixo vocês com algumas fotos e, como de costume, uma poesia.

Até a próxima!

Aída

O gol é a alegria,
De uma torcida sofrida,
Na copa da euforia,
Estando de bem com a vida!

Num futuro acreditamos,
Cheio de sucesso e satisfação,
Pelo troféu esperamos,
Para encher o coração…

De força e vontade,
De garra e emoção,
Para fugirmos da vida de verdade,
Para vivermos essa paixão!

Aída
19/06/26

1 COMMENT

  1. Aída, amei ver a apresentação da sua arte através dos tempos. Você como sempre se virando nos trinta para ganhar dinheiro, se divertindo, fazendo o que você ama e contagiando com sua alegria e criatividade as suas clientes que não resistem e topam fazer as pinturas, vendo as mesmas em você, como garota propaganda. Kkk
    Na minha opinião acho pouco provável o Brasil ir muito longe neste mundial, mas em 1982 a Itália estava como o Brasil, desacreditada, ganhou do Brasil e foi campeã. Só nos resta torcer.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS VISTOS

ARTIGOS RELACIONADOS