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A Câmera como Escudo e a Vida como Caixa de Chocolates 

A força que descobrimos ao transformar os limões da vida.

Queridos Leitores,

Como a vida é feita de momentos — de todo tipo de momento —, cabe a nós tirar algo de positivo de cada um deles. É como o ditado: “se a vida lhe dá limões, faça uma caipirinha”. Ou até mesmo como disse Forrest Gump: a vida é como uma caixa de chocolates!

E foi pensando nisso que hoje vou falar de um momento que, para mim, foi muito difícil. Mas eu me vesti com minha armadura, peguei meu escudo (minha câmera) e fui…

Quando finalmente conseguimos pegar o barco! Marininha, Talia e Isabela

Em abril de 2019, meu pai foi internado pela última vez. Eu, aqui de longe, fiquei sem saber o que fazer, tentando ter notícias dele. Sinceramente, era muito difícil que as informações chegassem até mim e, apesar de toda essa dificuldade, quando vinham, não eram boas. Mesmo assim, eu continuava acreditando que, no fim de maio, iria para a festa de 85 anos dele…

Pelos canais de Londres!

Foi justamente naquele mês que Marininha, minha prima que mora em Nova York, veio para Londres com suas filhas, um grupo de amigos e os filhos deles. Durante a visita, fiz o máximo para conciliar meu trabalho e dias de folga para passar tempo com elas. Na verdade, tanto a visita dela quanto o trabalho eram distrações para não encarar a verdadeira tristeza que estava em meu coração.

Mãe linda com filhas lindas, mas pra mim Marininha vai ser sempre minha bonquinha!

Teve um dia em que elas foram me encontrar no trabalho e dali saímos para jantar. Naquele momento da vida dela, ela também estava passando por uma fase difícil, e aquela viagem era como o início de uma nova era.

Consegui com minha gerente a folga de domingo e segunda-feira. No domingo, levei-as para fazer um passeio de barco pelos canais de Londres. Como não tínhamos feito reserva, tivemos que esperar um pouco pelo próximo barco. Fomos até Camden Town, passeamos por lá, comemos besteiras e, quando deu a hora, pegamos o metrô até a estação de King’s Cross para encontrar o grupo de amigos de Marininha e jantar em um restaurante indiano.

As meninas com Amy e Camden com seus encantos!

Na segunda-feira, Marininha e as meninas aproveitaram a manhã para fazer um passeio com os amigos e as outras crianças do grupo. Já na parte da tarde, marcamos de nos encontrar na Catedral de St. Paul e, de lá, fomos para o South Bank (a margem sul do Tâmisa). Quando estávamos atravessando a Millennium Bridge, a Isabela, filha mais nova de Marininha, nos mostrou a arte no chiclete… ficamos bem impressionadas com aquilo. Passeamos pela beira do rio e, em um certo ponto, o pai das meninas ligou para Marininha para falar com elas. Num rompante de raiva ou indignação de pré-adolescente, a mais velha, Tália, disse que queria que o pai “fosse de arrasta”. Aquele comentário me pegou direto no coração e rasgou.

Indo encontrar os amigos de Marininha, no metrô de Camden Town

Então, eu disse para ela nunca mais dizer isso, nem do pai dela, nem de ninguém. Depois, expliquei que, naquele exato momento, o meu pai estava em coma em uma UTI lutando pela vida, e que tudo o que eu mais queria era que ele sobrevivesse.

Talia brincado na água !

Depois disso, fomos a um restaurante. O plano inicial era irmos para a minha casa e de lá eu dar uma volta de carro com as meninas, pois na época eu tinha um conversível. Porém, depois daquele episódio, eu não tinha mais clima para continuar ali. Não porque as meninas estavam inquietas — na verdade, elas queriam ter ficado com as outras crianças do grupo —, mas porque, de repente, eu já não conseguia tirar o meu pai do pensamento.

Marina e suas amigas, e eu..

Perguntei à Marininha o que os amigos dela iriam fazer à noite. Não lembro bem o que era, mas sugeri que seria melhor que as meninas fossem se encontrar com as outras crianças. Ela me convidou para ir junto, mas eu já não estava conseguindo lidar com a minha dor. No fundo, eu sabia que papai iria partir; eu só não sabia quando.

Isabela só deixava eu fotografar se ela estivesse com a mãe !

Dias mais tarde, o Guilherme chegou e fizemos um passeio delicioso, como sempre. Mas eu estava tão angustiada com a situação que resolvi escrever uma carta para o papai, me despedindo, pois sentia que ele estava esperando por ela. No dia seguinte, 30 de abril, ele se foi…

Porque as fotos espontâneas são as mais bonitas!

Então, meus queridos leitores, apesar de ter sido uma aventura com um peso de tristeza muito grande, quis incluí-la neste mês de julho, que é tão significativo para mim. Acho que, se não tivesse tido aquelas visitas naquele momento, eu realmente não sei como estaria ou como teria me preparado para essa partida.

Depois do restaurante outra foto na fonte e as meninas sna gaiola de luz da estação !

Como eu disse no começo, espero que vocês vejam esta matéria como uma caipirinha ou até mesmo como o melhor chocolate da caixa. A dor nos torna mais fortes para que possamos valorizar o nosso dia a dia e a nossa alegria de viver!

A surpresa da arte no chiclete, revelada pela Isabela. Essa feita no chiclete no chão liso e a vista é de quem atravessa a Milenium Bridge

Fiquem com as poucas fotos e, como sempre, com a poesia!

Até a próxima!

Aída

O poder da fotografia,
Que deixa o momento preservado,
E como na poesia,
Tudo nela fica intocado!

Capturar a luz,
Para reviver os momentos,
Rever o que nos conduz,
Materaliazar nossos pensamentos…

Da saudade que ficou,
Da tristeza e da alegria,
De tudo que imortalizou,
Do poder da fotografia!

Aída
10/06/21

*Clique aqui para ver mais fotos!

2 COMMENTS

  1. Aída querida começo dizendo…você é LUZ que chega antes do flech, parabéns por transformar a dor em força, forma,fotografia…seu querido pai amoroso estava partindo…é mesmo um processo muito difícil…a finitude virando encantamento…a presença das primas lhe trouxe encorajamento…você poetiza, você traz alegria, tudo se complementa!

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