sábado, abril 18, 2026
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Recordações 11

Éramos seis. Aos pouco cada uma das meninas começavam a mostrar sua personalidade e essa descoberta fazia eu e Maria rir muito.

Núbia não gostava de comer e travava uma guerra com a mãe e com a avó quando estava por aqui. Maria segurava ela com as pernas e com as mãos abria sua boca e colocava a comida….. No final essa tortura não adiantava nada, pois tudo voltava e Maria ficava preocupada pois a menina era bem magrinha. Quando ela era ainda de colo, Maria entregava ela ao jardineiro, um menino que cresceu lá em casa, aprontava ela, colocava no carrinho e ele saia pra passear na Fernandes Lima e encontrar seus amiguinhos, então os amigos com seus carrinhos de rolimã e o Tonho com o carrinho da Núbia, com ela dentro , apostavam corrida e Maria nunca ficou sabendo.

Cristina era espirituosa e muito conversadeira, na ocasião do aniversário de meu avô Vicente fomos todos pra Salvador e antes de cantar os parabéns os bisnetos foram apresentados e Cristina foi a escolhida para cantar uma música que Gilda escreveu para ele. Sozinha na frente de todos ela cantou e foi muito aplaudida.  Quando morávamos na rua da Aurora fui chamado por Maria no trabalho, e quando cheguei Cristina tinha enfiado sementes de piriquiti nas narinas e estava respirando com dificuldade. Maria muito nervosa não sabia o que fazer, aí quando cheguei peguei um grampo de cabelo e retirei uma por uma. Quando voltou ao normal ela começou a rir.

Aida era muito calada e sonsa. No mesmo aniversário de meu avô Vicente, quando apresentamos ela a ele dissemos :

_ Essa é Aida!

Na mesma hora ele perguntou:

_ E cadê a volta?

No que Aida não entendeu nada e todos riram. Ela era muito persistente, quando queria uma coisa e Maria dizia não, ela passava o resto do dia deitada no chão ao lado de Maria que estava costurando, dizendo:

_ Eu queria, eu queria, eu queria…

Não sei como Maria não perdia a paciência com essa ladainha.

Já Adriana, tenho poucas memórias dela, por ter ficado pouco tempo conosco ,porém nunca me esqueço que quando estava falando no rádio amador ela ficava me observando o tempo inteiro em pé do meu lado. Na mesa do almoço ela sempre dizia quando Maria ia servi-la:

_ Só quero se for muito

E quando tinha macarrão com camarão, o seu prato preferido, ela dizia que queria macarrão com peixinho.

Eu observava o carinho e ternura que a minha Maria tinha por nossas filhas, me sentia sortudo de ter tanto amor ao meu redor.

Maria, minha querida Maria.

Saudades eternas!!!

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