Maceió, 17 de Dezembro de 2015
Por volta de julho/ agosto Maria descobriu que estava grávida mais uma vez. Eu fiquei muito feliz pois iria ser pai novamente, desejava que viesse mais uma criança com saúde, porém se fosse um menino já ficaria mais equilibrado pois já tinha uma menina.
Em março, no seu aniversário Maria estava enorme, porém o bebê nasceu 7 dias mais tarde.
No dia 25 de Março à noite ela começou a sentir seus primeiros sintomas. Escolhemos o hospital dos Usineiros por ser perto de onde morávamos e que o Dr. Abelardo nos indicou.
Depois do tumultuado nascimento de Núbia, e não sendo eu mais marinheiro de primeira viagem resolvi me prevenir. D. Marina já estava aqui. Fomos para a maternidade do hospital dos usineiros por volta de uma hora da manhã e naquela noite estava chovendo muito , uma forte tempestade com raios e trovões. Maria já sentindo dores espaçadas, sendo que o Dr. Abelardo foi para o hospital e foi descansar em um quarto deixando ordens que a enfermeira o acordasse tão logo fosse necessário . Quando o acordaram tudo foi tão rápido que Dr. Abelardo não teve tempo nem de se trocar, só vestiu um jaleco e saiu correndo para socorrer Maria. Dessa vez tudo aconteceu dentro da normalidade, apesar de que eu estava muito nervoso. E lembro-me que a bebê estava nascendo e ao mesmo tempo que o sol despontava no horizonte, dando um tom dourado na sala de parto, como se tudo tivesse sido ensaiado para essa menina nascer junto com o sol! Depois de nascer, colocaram a menina numa pedra e a deixaram lá e quando notei ela um pouco roxa chamei a atenção da enfermeira para agasalhá-la.
À nossa segunda filha demos o nome de Cristina, pois Maria teve uma colega de colégio que era muito sua amiga e ela gostava muito do nome. Passaram o dia muito bem, mãe e filha, porém logo após acomodarem Maria no quarto ela teve uma pequena hemorragia e foi atendida pelo plantonista Dr. Carlito Cedrim que resolveu tudo, quando observei pela janela do quarto que havia diversas fogueiras no quintal do hospital e cheguei à conclusão que estas foram provocadas pelos raios que caíram na noite anterior.
Ao fim do dia, olhando minha Maria e minha segunda filha percebi a fragilidade da vida mas que nosso amor superaria tudo, tempestades, hemorragias e tudo que viesse.
Maria, minha querida Maria
Saudades eternas!



