Maceió, 12 de Dezembro de 2015
E assim começou nosso noivado.
No dia seguinte fui trabalhar já usando minha aliança na mão direita, muito feliz e ao mesmo tempo sem acreditar, toda vez que olhava a minha mão me dava uma sensação de felicidade e ao mesmo tempo era uma coisa estranha, eu estava no primeiro dia do resto da minha vida que ia ser com minha Maria.
Aos domingos nossa rotina era sempre a mesma, íamos à missa na catedral às 9 horas, na volta sentávamos no banquinho na rua da frente e ficávamos namorando, ao meio dia íamos caminhando pra casa de Maria onde Dona Marina, minha futura sogra, sempre nos preparava uma deliciosa fritada de siri. Antes do almoço ficávamos conversando com meu futuro sogro que sempre tinha alguma coisa interessante para contar.
Eu estava tão feliz que queria dizer ao mundo que agora eu estava noivo para me casar com minha Maria, então mandei fazer um comunicado o qual eu mandei para amigos e familiares de todo Brasil, onde tinha conhecido eu mandei.
O comunicado dizia mais ou menos assim:
“Maria José e Fernando comunicam o seu noivado”
Quando do casamento de Roberto, que aconteceu aqui em Maceió, em finais de Junho de 1960, Maria José veio ao casamento acompanhada de seus pais, Dona Marina e Sr. Barros. Oficialmente ela tinha que vir pois agora ela já era quase da família.
No dia seguinte ao casamento minha mãe teve que viajar às pressas para São Paulo, uma vez que estava acometida de um câncer. Foram dias difíceis, e dias depois tive que ir para São Paulo para ajudar meu pai. Em Novembro desse mesmo ano minha mãe pediu para voltar para Aracaju pois queria morrer em seu lugar. Ela veio a falecer em Dezembro de 1960.
Havíamos marcado o casamento para o dia 16 de Novembro de 1960, pois era o dia do aniversário de casamento de meus pais, porém tivemos que adiar por conta da saúde de mamãe. Maria me apoiou todo esse tempo.
No velório de minha mãe, que foi em nossa casa, Maria veio acompanhada de sua mãe, uma pessoa muito espirituosa. Como Maria sempre foi uma pessoa muito reservada ela não chorava e sua mãe já estava muito preocupada com o que as pessoas iam dizer da noiva do filho de Núbia que não chorava, então ela não hesitou deu uma cutucada em Maria e disse bem baixinho:
_ Leca, chore.
Maria calada estava e assim ficou. Tempos depois ela foi perguntada por que não chorou e ela disse que não chorava.
Maria, minha querida Maria.
Saudades eternas!



